04 Agosto 2009

Profeta ressuscita no Twitter

Aos que achavam que o Profeta Banana tinha morrido, uma boa notícia: ele ressuscitou no Twitter!
As opiniões sempre ácidas e polêmicas estão de volta, agora com no máximo 140 caracteres.

http://www.twitter.com/vitorbemvindo/

Através dessa nova ferramenta, espero reviver o bom espírito desse blog abandonado!
Como diria, Chapolin Colorado: "sigam-me os bons!"

01 Setembro 2008

O Fim do Cine Paissandu

O "falecido" Cine Paissandu, numa foto dos anos 60


Este combalido blog, volta para demonstrar sua indignação e lamentação pelo fechamento do Cine Paissandu, fundado no Flamengo, em 1960, que até o último domingo era administrado pelo "Grupo Estação".

A alegaçao para o fechamento era que o Cinema estava dando prejuízo, já que se limitava a exibir "filmes de arte" (normalmente europeus, asiáticos e algumas produções do underground norte-americano) e, principalemente filmes nacionais.

Ainda há um esforço, pela internet, com um abaixo assinado, para tentar evitar que o cinema seja fechado. Para "assinar", acesse o link abaixo:

http://www.petitiononline.com/15121960/petition.html

Nesse clima de lamentação, reproduzo aqui um texto que me foi enviado pelo meu "tio" Luiz Fernando de Souza Lima, que tenta achar explicações para tal atrocidade.


"Ontem, domingo, O Globo em seu Segundo Caderno apresentou um artigo intitulado BRASILEIRO PREFERE DVD E TV A CINEMA - O QUE AFASTA O PÚBLICO DO CINEMA NACIONAL.

O cinema só representa 4% das atividades de cultura e lazer ( e o cinema nacional está neste bolo)
Desde que me entendo por gente existe o preconceito contra o filme brasileiro. Na minha opinião o cidadão brasileiro não gosta de se ver na tela. Nem seus problemas, nem suas emoções e muito menos seus problemas sociais. O cinema brasileiro reflete o nosso jeito de ser, e desse jeito temos que nos desenvolver.

Eis duas opiniões que o artigo apresenta:

1) "A maioria dos filmes brasileiros é muito ruim. Queremos cinema-diversão. Não queremos filmes que relatam, unicamente, miséria. Só irei assistir aos filmes nacionais amordaçadas. O governo de esquerda pode comprar esses filmes e obrigar os que estão cumprindo pena por crime a assisti-los."

2) " Assito aos filmes nacionais desde o seu "renascimento e vi muitos filmes ruins, Baixio das Bestas(???????), É Proibido Proibir, A Grande Família e Amor Perfeito. Neste período só gostei de O Jardineiro Fiel, Meu Tio Matou um Cara e Meu nome não é Johnny. Outros, como Tropa de Elite, 1972 e Batismos de Sangue, foram razoáveis. Não tenho preconceito algum com cinema nacional, pelo contrário. Mas o fato de torcer pelo sucesso não significa que vou gostar de qualquer filme brasileiro. Tem uns filmes bem ruizinhos sendo produzidos por aqui."

3) "O que está afastando o público do cinema brasileiro é a qualidade muito ruim. Enquanto houver lei de incentivo pra bancar as produções, qual interesse em fazer filmes que atraiam o público pela qualidade".

4)"Acho que para chamar atenção, os filmes brasileiros usam palavras muito ofensivas, os ditos palavrões e muitas cenas obscenas. Aí os brasileiros preferem ver filmes americanos, (?????????????) que são bons e não precisam falar tantos palavrões e ter tantas cenas de sexo."

A pesquisa mostra que 52% dos entrevistados não costuma ir ai cinema.

Em relação ao cinema nacional, cuja taxa de ocupação de mercado em 2008 está num péssimo 6,9 %, apenas 56% dos entrevistados declaram considerar as produções brasileiras ótimas ou boas. Os filmes estrangeiros, por sua vez, foram avaliados como ótimos ou bons por 72% do universo pesquisado. Só no Rio, 13% dos entrevistados disseram que os filmes brasileiros são ruins ou péssimos.

Questionados sobre os motivos para considerarem o cinema brasileiro ruim, 36% disseram que os filmes são pornográficos (??????/) ou trazem vocabulário vulgar (???//), 3
17% reclamaram da falta de conteúdo (?????), 14 % lamentaram a pouca criatividade (??????????????????) e 10% atribuíram o fato as cenas de violência (ora bolas!!!!!!!!)

Quem gosta de cinema de fato, e principalmente do grande cinema nacional está realmente SENTINDO a morte do Paissandu. Mas talvez, infelizmente não deva ser lamentado, quando a Geração Paissandu já está morrendo, poucos vão ao cinema por vários motivos, a maioria infelizmente não gosta nem nunca gostou de CINEMA BRASILEIRO. O velho Paissandu vive as moscas, enquanto os pipocas da vida estão lotados, com os seus enlatados americanos, sempre com os mesmo discursos.

Gosto muito do velho Paissandu e vou ficar na saudade, mas não assino nada de abaixo assinados, que estão correndo por ai, principalmente pela Internet. Sinto uma grande hipocrisia nisso.

Só espero que algum grupo consiga salva-lo, a exemplo do Odeon, nem tão freqüentado assim, e que seja assegurado ao cinema brasileiro um percentual maior nas salas de exibição, mesmo sendo vítima do trator do cinema americano, sob o estímulo talvés do Departamento de Estado.

Há diretores como os do Tropa de Elite e Cidade de Deus tentado fazer cinema com as fórmulas de sucesso dos filmes norte americano. Só não necessitavam baixar o sarrafo nos filmes do Glauber Rocha, como fizeram em entrevista para a revista Bravo.

Deve fazer parte da destruição de tudo o que envolve o Processo 1968. Desconstrução de tudo, até de um cinema.

Faz parte!!"

Por Luiz Fernando de Souza Lima

25 Junho 2008

Os Filhos do Pai do Rock

http://www.esto.es/rock/images/ChuckBerryPromo1.jpg

Como medir, objetivamente, a importância de um músico na história? Eis uma tarefa ingrata.

A qualidade musical é algo subjetivo, e dificilmente há consenso quando se trata de quem é o melhor músico de todos os tempos. Esta avaliação é vaga até mesmo quando feitas por instrumentistas competentes, já que mesmo quando se avalia tecnicamente muitos aspectos subjetivos entram em conta.

Porém, quando se toma em consideração a influencia de algum músico, essa avaliação pode ser mais objetiva. Aproveitando a vinda ao Brasil de Chuck Berry – considerado como a maior lenda viva do Rock ‘n’ Roll –, o MOFODEU (O Programa que tira o MOFO do ROCK - www.programamofodeu.blogspot.com) resolveu analisar a importância dele para a música do século XX.

O critério objetivo escolhido foi o número de canções de Berry que ganharam versões de outros artistas reconhecidamente importantes. Quando pensamos em Rock, nos vêm de imediato à cabeça nomes como Elvis Presley nos anos 1950, The Beatles e Rolling Stones nos 60, Led Zeppelin e Deep Purple nos 70. E o que todos esses artistas têm em comum: todos são declaradamente influenciados por Chuck Berry.

Isso fica ainda mais claro quando pesquisamos que todos esses artistas, em algum momento da carreira, regravaram músicas de Berry.

Elvis apareceu como o artista que deveria tirar o Rock dos becos e levá-lo ao público branco em geral. Antes de Elvis, o Rock era encarado como uma música essencialmente negra. Presley começou a aparecer tocando versões de músicos negros como Little Richards, Fat Domino e, obviamente, Chuck Berry. Apesar de não ter gravado nenhuma versão de Berry nos seus primeiros discos, era comum que o “Rei do Rock” executasse canções como “Brown Eyed Handsome Man” e “Johnny B. Goode”. Já no final de carreira, no “Aloha From Hawaii”, Elvis transmitiu o maior clássico de Berry para todo o mundo, através da primeira transmissão via satélite da história. Outros astros do “rock branco” dos anos 50 também regravaram canções de Berry, como Buddy Holly, Jerry Lee Lewis e Roy Orbinson.


Em “Aloha From Hawaii” (1973)
Elvis regravou “Johnny B. Goode”

Os anos 60 foram marcados pela “invasão britânica” no Rock. Mas as influências dos ingleses vinham de “além-mar”, mas especificamente de St. Louis. Bandas como The Animals, The Kinks, The Yardbirds, The Beatles e The Rolling Stones gravaram canções de Berry em seus discos. Essa influencia fez com que o músico americano lançasse, em 1964, um disco chamado “St. Louis to Liverpool”, em alusão ao sucesso de suas composições no velho continente.

Os Beatles eram os britânicos que mais colocaram Chuck Berry no pedestal dos ícones do Rock. Além de gravarem “Roll Over Beethoven” e “Rock and Roll Music” logo nos seus primeiros discos, músicas como “Carol”, “I’m Talking About You”, “Little Quennie”, “Memphis, Tennessee” e “Sweet Little Sixteen” apareciam com muita freqüência nas apresentações ao vivo da banda, e são facilmente encontradas nas compilações de raridades do quarteto de Liverpool.

Em “With the Beatles (1963), há
Uma versão para “Roll Over Beethoven”

Mesmo com o fim da banda, em 1970, Lennon e McCartney continuaram demonstrando sua admiração por Berry. Em seu penúltimo disco, “Rock ‘n’ Roll”, de 1975, John fez uma homenagem aos seus ídolos e adivinha qual foi o único compositor que teve duas canções regravadas? Acertou, Chuck Berry! Ele fez versões de “You Can't Catch Me” e “Sweet Little Sixteen”.

Paul fez o mesmo que John, em 1999, no álbum “Run Devil Run”, que continha algumas composições do ex-Beatles inspiradas no Rock dos anos 50, além de um punhado de covers da época, dentre elas “Brown Eyed Handsome Man”, de Berry. Nesse disco, McCartney teve a ajuda de grandes admiradores de Berry: David Gilmour (Pink Floyd) e Ian Paice (Deep Purple).

Outra grande banda da invasão britânica, os Stones, também executavam canções de Berry em suas apresentações, tais quais “Around Around”, “Down The Road Apiece” (lançada no disco “No. 2”, de 1965), “Let It Rock”, “Carol” e “Little Quennie”, essas duas últimas ficaram registradas em um dos mais memoráveis discos ao vivo da história, o “Get Yer Ya-Ya’s Out”, de 1970.


“Get Yer Ya-Ya’s Out” traz duas
2 versões de músicas de Berry

Para encerrar as bandas dos anos 60, não podemos esquecer do Yardbirds, banda que contou guitarristas como Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck. Em seu primeiro disco, ainda com Clapton nas guitarras, eles regravaram “Too Much Monkey Business”. Quando Clapton e Beck, já faziam parte do passado, Page idealizava o “New Yardbirds”, que com a entrada de Robert Plant e John Bonham, acabaria virando o Led Zeppelin.


“Too Much Monkey Business”, de Berry,
é a música que abre “Five Live Yardbirds” (1964)

Se você acha que Zeppelin não tinha muito a ver com Chuck Berry, está muito enganado. Nas sessões das gravações dos primeiros discos do Led, a banda registrou algumas versões de canções de Berry, como: “Around Around”, “Reelin’ and Rockin’” e “Shools Days”. Essas versões podem ser encontradas na compilação de raridades da banda, lançada como bootleg, chamada “Cabala”, especificamente no volume 6.

Em fins dos anos 60 e começo dos 70, além do Zep, algumas outras bandas regravaram Chuck Berry como Mountain, Ten Years After, The Doors, e o grande Jimi Hendrix, que não poupava elogios ao seu conterrâneo precursor do Rock. Até mesmo bandas como o MC5, consideradas ovelhas-negras do rock da época, gravaram Berry (MC5 é considerado, junto com os Stooges, precursores do punk).


Os “proto-punks” do MC5 mostram
sua influência de Berry em “Back in the USA”

Outra combinação que não tão evidente do som de Chuck Berry com o som feito nos anos 70 (mais especificamente o hard rock de meados da década) é o AC/DC. Talvez um ouvinte mais desarpecebido não encontre ligação entre o som desses artistas, mas só a atitude do principal guitarrista dessa banda nos remete a presença de palco de Berry. As dancinhas feitas por Angus Young são declaradamente inspiradas no “Duck Walk” de Chuck, mas as influências não ficam só nisso. No primeiro disco do AC/DC (lançado na Austrália, em 1975, como “TNT”), há uma música de Berry, que os mais desavisados nem perceberiam que se trata de um cover. Estou falando de “School Days”, que é impressionantemente parecida com o estilo de músicas feito pela banda durante todos esses anos. “School Days” poderia ter sido creditada a Young se já não fosse um grande sucesso de Berry. O mérito de Young foi colocar distorção nos riffs de Berry e seguir essa linha durante toda a sua carreira.


“School Days” é um cover de Berry
ou composição do AC/DC

O AC/DC é a prova da importância de Chuck Berry para a história do Rock ‘n’ Roll. De Elvis a MC5, passando por Beatles e Led Zeppelin, todos têm um quê de Berry em seu som.

Sendo Berry um dos artistas mais regravados, copiados e distorcidos da história é que nós do MOFODEU declaramos: Eis o verdadeiro Pai do Rock: Chuck Berry.

Por isso, nessa semana, faremos um MOFODEU especial “Versões de Chuck Berry”. Para ouvir os melhores covers do Pai do Rock, tocados por grandes nomes do Rock, basta acessar o blog (www.programamofodeu.blogspot.com) do programa a partir da madrugada de terça pra quinta, ou então sintonizar na 91,5 FM (para toda zona sul do Rio de Janeiro), a partir das 21hs de amanhã (dia 24/06).

Contamos com sua audiência.

Vitor Bemvindo
MOFODEU
O Programa que tira o MOFO do ROCK
www.programamofodeu.blogspot.com

09 Outubro 2007

Julgando um disco pela capa


Muito se falou nessa última semana sobre a lista lançada pelo site Gigwise sobre as capas de disco mais importantes da história. O alvoroço foi tão grande que teve até matéria no Jornal da Globo e no site Terra.

Obviamente o Gigwise cometeu várias injustiças e escolhas duvidosas.

Por conta disso, eu e meu companheiro de MOFODEU, Luiz Felipe (a enciclopédia do Rock), resolvemos bolar a nossa própria lista, lógico que considerando apenas discos dos anos 60 e 70.

Claro que nosso critério não foi meramente estético. Contou com uma boa dose de parcialidade e afetividade pelos discos. Alguns não são nem tão bonitos, mas têm capas marcantes e significativas.

Deixamos muitas capas que achamos legais de fora, por conta da pouca qualidade musical. O maior exemplo é a capa do primeiro disco do Velvet Underground que além de ser bacana, tem a ligação com o Andy Warhol (Para saber mais sobre o Velvet e Warhol, clique aqui). Eu não conhecia o disco e então fui ouví-lo. Achei um saco, então tirei da lista e coloquei Os Mutantes no lugar.

Então, não espere imparcialidade de nós.

Eis a nossa lista:

10 – Sabotage (1975) – Black Sabbath


09 – Os Mutantes e seus Cometas no País dos Baurets (1971) – Os Mutantes


08 – Disraeli Gears (1967) – Cream


07 – Capa Censurada de Eletric Ladyland (1968) – Jimi Hendrix


06 - A Night at the Opera (1975) - Queen


05 - Physical Graffiti (1975) – Led Zeppelin


04 – Abbey Road (1969) – The Beatles


03 – Dark Side of The Moon (1973) – Pink Floyd


02 - Deep Purple in Rock (1969) – Deep Purple


01 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967) – The Beatles


Só escolhemos discos dos anos 60 e 70 porque queremos aproveitar esse tema para o MOFODEU. Ou seja, nessa terça-feira o programa será somente com músicas dos discos listados.

Portanto, se você discorda da lista, tem até às 21 horas de hoje para nos criticar e nós lermos sua crítica no ar.

É só acessar o blog: www.programamofodeu.blogspot.com

Ou mandar mensagem de texto para (21) 9442-5726 no horário do programa.

Depois confira o playlist e baixe o podcast do programa.

No programa você saberá o real motivo para a escolha de cada um das capas dos discos.

Contamos com a sua opinião.

05 Outubro 2007

A diferença entre O GRANDE e os outros

Sabe qual a diferença entre um time grande e os outros?

Alguns são frouxos e se apequenam quando tem que ganhar:

Jogo: Botafogo 0 X 2 São Paulo
Data: 08/08/2007
O que disputavam: A liderança do campeonato
Local: Metade do Maracanã
Público: 47.925



Outros sonham mais alto do que podem, e transformam um pulgueiro num caldeirão:

Jogo: Vasco 0 X 2 São Paulo
Data: 08/09/2007
O que disputavam: A liderança ou uma vaga na Libertadores
Local: São Januário, a caldeirinha
Público: Não divulgado (Eles não querem passar vergonha e o Eurico tem que levar o dele)


O grande não precisa de motivação. A motivação é a paixão natural que leva a maior torcida do mundo lotar o Maraca:

Jogo: Flamengo 1 X 0
Data: 04/10/2007
O que disputavam: Nada
Local: O maior do mundo
Público: 68.098



Não precisa dizer mais nada!

Está marcado um churrasco pro dia 08 de dezembro. 10 caixas de cervejas por conta de um botafoguense e um vascaíno!

MOFODEU no ar

Nesta última terça entrou no ar o Programa Mofodeu.
Apesar de alguns probleminhas, tudo correu bem, exceto pela ausência do podcast.

Quer saber como foi?

http://programamofodeu.blogspot.com


Ou assista o vídeo:

24 Setembro 2007

Projetos Paralelos

Todos conhecem a face escritora do Profeta através desse blog.
Mas nessa semana duas novas facetas deste que vos fala serão reveladas

A primeira delas a de vocalista de banda de rock:

A Boomerang Rock Band fará o seu quarto show em sete anos de existência. Agora com nova formação, já que perdemos o grande guitarrista Flávio Chedid.
Perdemos um homem mas ganhamos qualidade. Os anos e os ensaios fizeram com que nos tornássemos uma banda melhor (ou menos pior).
Nossos músicos estão tinindo: Luiz ganhou técnica e velocidade, além de ter assumido muito bem a responsabilidade de ser o único guitarrista da banda.
Ramon, além de ter evoluído muito tecnicamente, dando um groove e uma levada pra banda que não tínhamos, incorporou na banda nosso amigão Bongo Music Man que tem feito o estúdio tremer.
Ivan tem estudado outros intrumentos o que tem ajudado muito na sua percepção musical geral, e é claro, na batera.
Eu, bem... Como eu sempre digo, sou o fanfarrão da banda. Estou ali pra me divertir e divertir os outros. Apesar disso, acho que consegui evoluir consideravelmente nos vocais. Estou aprendendo na marra... quem sabe um dia eu não começo a estudar e aprendo de verdade.

Mas garanto que, quem estiver no show do próximo domingo irá se divertir. Pode até não curtir o som... mas a diversão entre os membros da banda certamente contagia a platéia.

Detalhes do show no post SHOW HISTÓRICO.


O segundo projeto parelo está saindo do papel. É o "MOFODEU"


MOFODEU será um programa de rádio que tentará tirar o MOFO do Rock. Ou seja, eu e meu amigo Luiz resgataremos grandes clássicos do Rock num programa divertido e informativo.
O programa terá sempre um tema, e todas as músicas executadas terão a ver com esse tema. Além disso, pretendemos receber convidados, que levarão um playlist e serão avaliados pelos titulares da mesa.
O Programa deve estrear em meados de outubro na Rádio Interferência 91,5 FM, no Rio de Janeiro. Rádio Interferência é um coletivo dos alunos da UFRJ, que dá oportunidade a programadores de divulgarem seus programas.
É legal se informar sobre o que é uma rádio livre no site: www.radiolivre.org
Obviamente, por ser uma rádio livre, a Interferência não pega em todo o Rio de Janeiro, muito menos em todo Brasil. Ela se restringe às cercanias da Urca-Botafogo-Humaitá (veja onde a rádio pega clicando aqui).

Por isso, MOFODEU invadirá a internet.
O blog já está no ar:

http://www.programamofodeu.blogspot.com/

Por enquanto, você só poderá saber como será o programa. Mas a intenção é que nesse blog estejam disponíveis todos os programas para download, em formato de podcast.
Não temos o dia, horário, nem a data certa da estréia. Mas podem esperar: O Profeta e seu escudeiro Luiz Canelão em breve estarão também nas ondas do rádio.

Aguarde e confie!


Profeta Banana

19 Setembro 2007

The Hitchcock Trio

Se tem algo que presta no desprezível "Programa do Jô" são os musicais.
A pessoa que faz a seleção das bandas que tocam no programa tem muito bom gosto musical.
Ele dá sempre oportunidade à musica instrumental de qualidade, além de bandas de blues e jazz que quase nunca temos acesso pela grande mídia.


Essa madrugada, zapiando, vi o "The Hitchcock Trio" tocando no programa. Gostei muito e fui pesquisar na internet.
Encontrei os "My Spaces" de dois membros da banda e neles consegui ouvir 5 músicas diferentes. Depois, no site oficial do Trio, consegui ouvir outras duas músicas e minha impressão foi excelente.

A proposta do "The Hitchcock Trio" é interessantíssima: três caras se reuniram para compor trilhas alternativas para os seus filmes favoritos, entre eles Laranja Mecânica, Cidade de Deus, Vidas Secas, Expresso do Oriente, Rocky Balboa, etc.
A banda tem uma levada soul/funk misturadao com batidas de jazz moderno praticamente instrumental (com alguns vocais de fundo) que lembra um pouco o James Taylor Quartet (que também se inspira no cinema, só que regravando trilhas em ritmo de Acid Jazz), porém com mais qualidade musical e originalidade. A cadência é mais lenta que a do quarteto inglês, mas o swing é contagiante. A levada funk (no bom sentido do termo) do baixo é muito legal. É difícil rotular a banda... vamos dizer que é um som experimental de alta qualidade.

Não resisti e comprei o CD na Fnac. Deve chegar na semana que vem. Se me empolgar, eu faço uma edição do "PB Critica" fazendo uma resenha mais detalhada do disco.

Informações interessantes para conhecer a banda:

Formação:

Rodrigo Castanho - guitarra (toca muito bem, apesar de ter produzido CPM 22 e outras porcarias)
Adriano Paternostro - baixo
Kezo - bateria e vocais

Onde escutar

Site Oficial: http://www.thehitchcocktrio.com.br/
My Space Rodrigo Castanho: http://www.myspace.com/thehitcocktrio
My Space Adriano Paternostro: http://www.myspace.com/adrianopaternostro

Onde comprar o Disco:

Fnac, Saraiva ou Videolar.com
Escolha a melhor opção no Yahoo! Shopping clicando aqui.

Detalhes do Disco:
The Hitchcock Trio
Disco: The Hitchcock Trio
Gravadora: Universal
Lançamento: 2007
Faixas:

  1. Expresso do Oriente
  2. Vidas Secas
  3. O Jardineiro Fiel
  4. Zé Pequeno
  5. Disque M para Matar
  6. Balboa
  7. Blade Runner
  8. Despedida em Las Vegas
  9. Operação França
  10. Boogie Nights
  11. Jivago
  12. Laranja Mecânica
  13. Chinatown
Deve ser uma experiência muito legal ouvir o disco com calma, pensando em cada um dos filmes,
ou até mesmo ver o filme escutando a música ao fundo.

Vamos ver se o CD confirma a primeira boa impressão. Estou ansioso para ouvir!

18 Setembro 2007

SHOW HISTÓRICO




Comentário do Bemvindo:

Esse eu não perco por nada!!

14 Setembro 2007

Pizza: Está até no "Aurélio"


“pizza
[Èpitsa] [It.]
Substantivo feminino.

1.Comida italiana feita com massa de pão, de forma em geral arredondada e achatada, sobre a qual se dispõem camadas de mozarela, tomates, enchovas, etc., temperadas com orégão.

Acabar em pizza. 1. Bras. Gír. Resultar em nada:
Todo aquele inquérito sobre a roubalheira acabou em pizza.”

HOLANDA, Aurélio Buarque. O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Positivo, 2004.

Você sabe a origem? Leia:

“Especialmente na cidade brasileira de São Paulo, a maior do Brasil e também a mais italiana do mundo, o consumo de pizzas é grande e sofisticado, com o ato de reunir-se numa pizzaria sendo freqüentemente significado de celebração e acordo. Deste costume, surgiu a expressão, comumente usada no Brasil, associando um processo que envolva ações de ética ou legalidade duvidosa a esta celebração. Quando apenas alguns dos envolvidos de menor importância são penalizados ou exista um movimento de acomodação, terminando em mesa de negociação, ou "terminando em pizza", como se as partes envolvidas - acusados, acusadores, executivo, legislativo e judiciário - se sentassem numa pizzaria e, apreciando a saborosa iguaria, celebrassem o acordo durante uma "pizzada".”
Tirado da Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pizza)

(Se a gíria fosse carioca, certamente seria chopp ao invés de pizza)

Pois é... a pizza está instituída.
E não é só no vocabulário... é no comportamento humano.
E nem tem como falar que isso é uma instituição brasileira.

O que dizer da eleição presidencial estadunidense de 2000? Pizza!
Desrespeito do governo Bush à decisão do Conselho de Segurança da ONU que não aceitava a invasão do Iraque? Pizza!
Morte de milhares de pessoas pelos regimes militares na América Latina? Pizza!
Caso de espionagem da McLaren no mundial de Formula 1? Pizza!
Brasileiro confundido com terrorista e morto pela Scotland Yard? Pizza!
Violação dos direitos humanos nas prisões do Iraque e de Guantánamo? Pizza!

Milhares de exemplos da pizza pelo mundo!

A verdade é que os donos das pizzarias são muito poderosos. Eles compram os ingredientes onde quiserem: farinha no Brasil, queijo na Argentina, tomate nos Estados Unidos, orégano na Inglaterra, ovos no Iraque, etc.

O pior que eles compram até os Pizzaiolos: Lula, FHC, Kofi Annan, Max Moley, etc.

Muitas vergonhas em uma só pizza!

A opinião pública está estarrecida com a absolvição do “senador” Renan Calheiros. Eu compartilho desta indignação, mas confesso não ter ficado surpreso.
Essa não foi a primeira e nem será a última pizza da história política desse país.
Minha indignação maior e ver alguns absurdos que as vezes passam desapercebidos como, por exemplo, a censura aos deputados que queriam assistir a sessão plenária.
Sinto muita vergonha dessa situação toda e, sinceramente, fico um pouco desesperançado.
Renan representa uma elite que manda nesse país há séculos, e que parece invencível. Renan é da mesma laia dos Sarneys dos Magalhães, etc. Faz parte de um tipo de política que se pratica ativamente desde os tempos da República Velha, a política dos coronéis.

Por mais que o país se modernize, se industrialize, essas figuras ligadas ao banditismo rural dos sertões nunca desaparecem. Mesmo com toda a força do capital financeiro/industrial esses caras continuam inabaláveis.
E a explicação para esse poder indestrutível está na incrível habilidade de adaptação político-econômica dessas figuras. Não importa quem esteja no governo, eles sempre mandam. Não importa quem seja o mais competitivos, eles sempre lucram.

É bom lembrar que o “senador” Calheiros foi base de sustentação do governo Sarney, do governo Collor, do governo Itamar, do governo FHC e agora do governo Lula. Ou seja, nunca foi oposição.

Essa laia de político é a que comanda esse país. Os partidos teoricamente fortes, PT e PSDB dependem dos PMDBs e dos PTBs. Ou seja, a luta política mais importante desse país não é a das urnas, e sim a das alianças.

Vergonha maior do que ver o Calheiros absorvido é ver o PT e o governo Lula lutar pela não-cassação deste canalha. Quem diria, há quinze anos atrás, que um governo do PT daria apoio à figuras como esse crápula, que faria alianças com Roberto Jefferson, que daria ministérios à latifundiários e que tivesse no seu Banco Central um representante dos investidores de Wall Street?
Essa é a grande vergonha! O Partido dos Trabalhadores sendo manobrado pelas elites.
Mas a culpa é do próprio PT que se deixou contaminar por esse jogo político sórdido e imoral.
Dá pena ver caras sérios como o Aloísio Mercadante dando explicações porque se absteve na votação do caso Renan. Fico com pena do Suplicy, que dentro do PT era voz única pedindo a cassação do vendedor de gado fantasma.

Mas de uma coisa estejam certos: eu aposto tudo que tenho que vários dos novos “defensores da moralidade” votaram a favor de Renan. Vários “Democratas” estão unidos até a alma com a classe, com os negócios e com as políticas de Calheiros. São todos farinha do mesmo saco.

Prova disso é a reportagem do portal G1 que mostra que muitos deles metem ao declarar seus votos:
46 senadores declaram que votaram a favor da cassação, sendo que, na realidade, apenas 35 contra Renan. Ou seja, temos no mínimo 11 senadores suficientemente caras-de-pau para mentir sem pestanejar.

Filho feio não tem pai: Apesar de apenas 35 senadores terem votado pela cassação
de Calheiros, 46 deles afirmaram à reportagem da Globo que foram
contra a permanência do presidente da Casa.
Afinal, quem absolveu Renan?

Alguém tem dúvida de quem são?

Eu não!


Profeta Banana



(ATENÇÃO: Todas as charges e montagens desse post foram
criadas e elaboradas pelo Profeta Banana. Se for copiar, dê o crédito)


31 Agosto 2007

Flamengo Campeão da Shun-Ou Cup 2007

Obina comemora o gol do título da Shun-Ou Cup 2007


O Flamengo conquistou hoje, com campanha irretocável, o título da Shun-Ou Cup 2007. O campeonato, em formato mata-mata, reuniu os melhores times das séries A e B do Brasileirão.
O título veio na final contra o Palmeiras, num jogo tenso e truncado. O herói do título foi o atacante Obina, que além de fazer o gol do título, foi o artilheiro do torneio.

Confira a campanha do Mengão:

1ª fase:
Flamengo 2 x 0 Ipatinga
Gols: Roger 39’ e Obina 81’
Melhor em Campo: Roger

Roger comemora o primeiro gol do Flamengo no torneiro

O Flamengo venceu com uma atuação ruim. As jogadas pelo meio não funcionaram e o técnico Banana resolveu escalar o argentino Maxi pela ponta direita. O time melhorou após a mudança tática e os gols saíram de jogadas inciadas por Maxi. Roger deu bons passes e fez um belo gol de fora da área.

2ª fase:
Flamengo 0 x 0 Paulista (nos pênaltis Fla 5 x 4)
Melhor em Campo: Maxi

O técnico do Paulista de Jundiaí armou um ferrolho para enfrentar o Flamengo. Mesmo assim o time carioca criou muitas oportunidades, desperdiçadas pelos centroavantes. Obina abusou de perder gols e foi substituído por Souza, que também perdeu um caminhão de oportunidades. Maxi mais uma vez se destacou, mas acabou substituído por cansaço. Souza corou a má atuação com um pênalti perdido, mas nas cobranças alternadas o goleiro Diego defendeu o chute do jogador paulista e mostrou a torcida que o técnico Banana estava certo em barrar Bruno.

Quartas-de-final:
Flamengo 2 x 0 Paraná
Gols: Maxi 22’ e Obina 52’
Melhor em Campo: Obina

Em bela atuação de sua dupla de ataque, o Flamengo não teve maiores dificuldades em vencer o Paraná. Maxi e Obina infernizaram a defesa paranista. Vitória tranqüila e empolgação da torcida para as próximas fases.

Semifinal:
Flamengo 4 x 0 Fluminense
Gols: Maxi 12’, Obina 48’, Maxi 58’ e Obina 74’
Melhor em Campo: Maxi

Massacre! O que parecia ser um jogo tenso, foi um passeio rubro-negro graças a atuação fantástica de Maxi. O tricolor das Laranjeiras ficou atordoado com as decidas do argentino pela ponta. Muito fácil... e Mengão engrenado para a final.

Juan (à esquerda) e Renato Augusto demostram tensão antes da decisão

Final:
Flamengo 1 x 0 Palmeiras
Gol: Obina 83’
Melhor em Campo: Obina

Sem dúvida o jogo mais difícil do Flamengo no campeonato. O Palmeiras armou uma marcação individual em Maxi, que pouco criou no jogo todo. As jogadas rubro-negras ficaram por conta de Roger e Ibson, que colocaram Obina algumas vezes na cara do gol. O jogo parecia caminhar para um zero a zero sem sal, quando em jogada individual de Ibson pela esquerda, Obina completa o cruzamento de cabeça, sem chances para o goleiro Marcos.

Flamengo Campeão!

Jogadores agradecem à torcida após receberem as medalhas

Em 5 jogos, 9 gol marcados e nenhum sofrido! Melhor ataque, melhor defesa e artilheiro (Obina)

Assista o gol do título:

Observe como a câmera treme devido aos pulos da torcida no estádio.

Confira a campanha do Mengão e dos seus adversários

Obina foi artilheiro do campeonato com 5 gol em 5 jogos.


Comentário do Bemvindo:

Nada como um dia de férias e uma tarde inteira ociosa para jogar Winning Eleven.

Tragédia Menor

Dois trens colidem: mais de 10 mortos, mais de 100 feridos. Uma tragédia!


Mas não causou grande comoção.

Será por conta dos números?

Com certeza não!

A diferença da tragédia da TAM para a tragédia da SuperVia é que, nessa última, os mortos e feridos eram pobres. Quando pobre morre, ninguém se comove.

Quero ver o Movimento Cansei protestar contra a SuperVia, contra os governos do Rio.
Eles não vão protestar: os “cansados” não andam de trem.

Ir ao Maracanã: Um Suplício



Todos sabem que uma das minhas maiores paixões é o meu clube do coração, o Flamengo. Durante toda a minha vida, um dos meus programas favoritos foi ir ao Maracanã ver meu time jogar. Perdi as contas de quantas vezes fui. Desde muito criança freqüento as arquibancadas do “maior do mundo”.

Ultimamente não tenho tido muitos motivos para ter prazer de ir ao Maraca. Primeiro porque o Flamengo não anda fazendo boas campanhas nos campeonatos de que participa. Mas isso é o de menos: torcedor de verdade vai ao estádio mesmo quando seu time está em má fase.

O problema maior é as condições dadas aos freqüentadores do estádio.

Quando vou ao Maracanã me sinto um lixo... sou tratado como um animal. Começa pela compra do ingresso, passa pelo transporte e segue pelos estacionamentos. Sem falar no acesso ao estádio... É comum a preparadíssima Polícia Militar juntar os torcedores num curral e ir dando cacetadas em todo mundo para “organizar” uma fila.

Depois que você consegue entrar e se acomodar, toma uma cerveja quente a três reais.

Na última quarta, no Flamengo x Botafogo, o time até me motivou. Uma bela atuação no primeiro tempo e no segundo um relaxamento. Empate injusto; merecíamos a vitória. O time melhora a cada dia, e dá até vontade de ir mais vezes assistir.

O problema foi a saída. Fui ao banheiro e presenciei um imbecil mijando na porta do banheiro, à poucos centímetros da privada. Depois que entrei, vi mais um idiota mijando na parede do banheiro, do lado de milhares de privadas, muitas delas sem ninguém.

Depois de me enojar com porcos, foi a vez de presenciar os cavalos da Torcida Jovem dando coice em todos que estavam pela frente. Minutos depois, percebo alguns perturbados com cara enraivecida. Pensei: “Vai dar merda!”. Não deu outra... segundos depois um energúmeno pega o bambu da bandeira e começa a dar porrada em todos que estão à sua volta, sem motivo nenhum.
Fico pensando qual o prazer de um cara desse em sair dando porrada em todo mundo. Não consigo entender, sinceramente.

Para mim, isso é reflexo de como as pessoas são tratadas. Quando alguém é tratado como um animal, só pode reagir como um animal.

Não sei se estou ficando velho, ou se minha tolerância à idiotice está ficando cada vez menor. Mas ir ao Maracanã está se tornando cada vez mais cansativo e desmotivante.

Claro que ainda tenho muitos anos de Maraca pela frente, mas a freqüência desses programas vão caindo cada vez mais. Minha paixão pelo meu clube, ao contrário, só aumenta irracionalmente.

Mas fico pensando daqui a vinte anos, quando tiver um filho: será que terei coragem de levá-lo ao Maracanã? Não sei...

Corre o risco dele virar um torcedor de pay-per-view, ou até pior, virar um botafoguense ou tricolor.

Profeta Banana

20 Agosto 2007

30 anos de "Elvis não Morreu"

(Escrevo esse post, mesmo em férias, para reparar uma injustiça e homenagear um ídolo)

Há exatos 30 anos surgir uma das frases mais repetidas de todos os tempos: "Elvis não morreu!".

Sim, Elvis Aaron Presley morreu, em 16 de agosto de 1977. Mas Elvis não morreu... ele está vivo em cada estúpida banda de garagem que existe hoje em dia.

Elvis não foi o pioneiro do rock. Elvis nem de longe foi o mais talentoso da história do rock. Ele nem mesmo era um músico... nunca compôs uma música que preste.

Então qual foi o seu mérito?
Elvis era bonitão, tinha um belo topete. Tinha uma boa voz e um requebrado interessante. Mas sua principal “virtude” era ser branco. (Não me entenda mal... não sou racista, leia o resto e entenda).

Antes de Elvis, o Rock and Roll era uma música do gueto, feita por negros. Numa sociedade conservadora como a estadunidense, marcada pelo racismo, músicas desse gênero eram marcadas pelo desprezo popular. Que o diga o jazz e o blues, que só foram socialmente aceitos depois de muitos anos de execução na mídia.

Elvis era o cara perfeito para levar ao grande público aquele ritmo dos guetos. E essa foi sua maior virtude. Poderia ter sido qualquer outro branco bonitão... mas foi o Elvis.

Lendo esse rápido retrospecto, o leitor pode pensar: “O Profeta odeia o Elvis!”.

Muito pelo contrário, eu amo o Elvis. Mas isso não me impede de encarar a realidade: Elvis era só uma estratégia de massificação do rock, que deu muito certo.

O carisma de Elvis é inegável. Quem não se sente atraído por sujeitos do tipo canastrão?

Eu mesmo, quando vi Elvis Presley pela primeira vez pensei: “Quero ser esse cara um dia”. A síntese de um rockstar: uma voz aveludada, um espírito sedutor, um requebrado sensual, muitas mulheres, extravagâncias, etc. Sem dúvida um ícone...

O Rock and Roll não seria o Rock and Roll sem Elvis. Os Beatles copiaram Elvis. Stones copiaram Elvis. Pink Floyd copiou Elvis. Deep Purple, Led, Queen, etc., etc.
O que é o Roberto Carlos senão uma cópia terceiro-mundista de Elvis?

Eu amo Elvis... e declaro aqui esse amor. Me inspiro nele em minhas atuações como dublê de rockstar...
Meu sonho era ter um belo topete, uma costeleta invocada, usar roupas de couro e ter uma coleção de carros antigos. Fora a voz de locutor de rádio AM cantando baladas à la “Love me Tender”, deixando as menininhas a beira do palco babando.

Deixo aqui meu tributo, reproduzindo um trecho do ’68 Comeback Special, meu show favorito do Elvis. Ele gravou esses especial para TV após retomar sua carreira de cantor. Durante boa parte dos anos 1960, ele se dedicou (desastrosamente) ao cinema. Nessa fase Elvis já não carregava o amadorismo dos músicos dos anos 1950, e ainda não tinha enveredado para sua fase brega, na qual usava aquelas roupas brancas cheias de peduricalhos.



É ou não um grande performancer? Tudo o que eu queria ser. Aí num medley de Heart Break Hotel, Houd Dog, All Shook Up.

Viva Elvis!

E muitos anos de "Elvis não morreu"!



Comentário do Bemvindo:

Elvis era uma deliciosa mistura de Frank Sinatra, Chuck Berry e Sylvester Stallone.



16 Agosto 2007

Recesso

Na próxima semana o Profeta estará viajando, portanto, não haverá muito de novo para se ler por aqui. (Fora os três novos posts do dia 16/08/2007).

Então, já que você está visitando (e eu sei que você gosta de ler), aproveita para conhecer a verdadeira história do Profeta clicando aqui.

É importante saber quem está escrevendo o que você lê, e da onde vem essas idéias.

Grato,

Profeta Banana

Esmola com o chapéu dos outros

Você, assim como eu, não deve agüentar mais aquela musiquinha, aquele fundo branco, aqueles artistas globais com roupa branca, aquelas palavras: “se você deseja doar X reais, ligue para 0500 2007 meia mole, meia dura”.

Pois é, todo ano é a mesma coisa! A Rede Globo – e tudo que ela comanda – faz uma lavagem cerebral nas pessoas tentando arrecadar dinheiro para esse bendito projeto.

Mas eu me pergunto: por que a própria Globo não faz as doações para o projeto?

O total arrecadado nessas ligações deve ser ínfimo perto dos lucros exorbitantes que eles têm.

Já parou para pensar quanto custa trinta segundos de intervalo comercial naquele programa insuportável com o Renato Aragão, Xuxa e os “maiores artistas” da “música” brasileira?

Deve custar milhões, já que a audiência desse programa deve ser absurda. Eu não tenho muita base pra afirmar isso – mas vou afirmar assim mesmo – mas só o lucro do intervalo comercial desse programa, deve superar o total da arrecadação dos telefonemas.

O “Criança Esperança” é tão lucrativo que agora eles fazem dois programas: um no sábado à noite e outro no domingo à tarde. Ou vocês acham mesmo que eles fazem tudo isso pelo espírito de caridade?

Assim é fácil ser filantropo. Sem tirar um tostão do bolso e depois ficar com os louros da glória... e ainda ganhar uma graninha por isso... essa é a Rede Globo.




Comentário do Bemvindo:

Mas a culpa disso tudo é do governo, que não faz nada pra quem realmente precisa. Aí a gente tem que ficar aturando esses “caridosos” salvadores da pátria.

E a Bolha estorou...


Como qualquer idiota podia prever, a bolha imobiliária dos Estados Unidos estorou...

E quem paga a conta? A gente claro!

Bolsas caindo na Ásia, América do Sul, etc.

Como diz a sabedoria popular: "Eles peidam lá e fede aqui!"

É o capitalismo... justo e igualitário!

Mais Cansados do "Cansei"



Charge do: Charges.com.br

07 Agosto 2007

Só Jesus (Sangalo) Salva!

Quando eu ouvi a notícia de que o irmão da Ivete Sangalo estava organizando um movimento de mobilização contra o governo Lula, juro que achei que era uma piada.
Mas aí comecei ouvi falar com mais intensidade de um tal de “Movimento Cansei” (ou Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, ou seria, Movimento Cívico pela Direita Brasileira) e vi que a história do irmão da Ivete (Jesus Sangalo) não era graça.
Comecei a catar coisas na internet, e como sempre não consegui achar muita informação confiável.
Até que encontrei o site/blog do “Movimento”. A primeira coisa que procurei saber é quem faz parte dessa mobilização. A lista tem 38 entidades apoiadoras. Veja algumas:

Cartaz do "Cansei" ilustra uma típica trabalhadora brasileira
indignada com suas condições de vida.

OAB-SP
OAB-DF
ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV)
Associação Comercial de São Paulo
Associação Comercial da Gávea - RJ
Associação dos Antigos Alunos da FAAP
Associação Paulista de Imprensa (API)
BPW Brasil (Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais)
CJE FIESP
Conaje
CREA
FEBRABAN
FIESP
FIESP - Jovens Líderes
Fundação PIO XII
Grande Oriente Paulista da Maçonaria
Grupo de Jovens da Associação Comercial
Instituto de Estudos Empresariais - IEE
Movimento Viva Brasil
SESCON-SP
AJEE - PALMAS-TO Associação dos Jovens Empresários Empreendedores de Palmas

Não coloquei todas as entidades, porque muitas delas só colocam siglas, parecendo querer esconder o que realmente são. Muitos são jovens (isso não lembra um tal "Democratas"?)
Mas a verdade é que a maioria dessas entidades representa grandes empresários, parte da nossa imprensa imparcial, associações comerciais, conselho e ordens de categorias como advogados, médicos, engenheiros, etc.
Percebem como tem movimentos jovens nessa lista... qualquer coincidência como uma estratégia
Pensei comigo: “Eis um movimento popular!”
Qualquer semelhança com a ‘Marcha da Família com Deus pela Liberdade’, acontecida em 1964, não é mera coincidência.

Uma coisa interessante é ver que o “Cansei” teve como estopim para sua criação o Apagão Aéreo. Engraçado: a quem prejudica a crise aérea?
Prejudica o pai de família trabalhador da construção civil? Prejudica a dona de casa que tem que lavar roupa pra fora pra colocar comida na mesa? Prejudica as crianças da Baixada Fluminense que estão desde o começo do ano sem professores de várias matérias?
Porque ninguém diz “Cansei” para essas coisas?

O Caos Aéreo é mais importante que tudo isso?

E o Caos Terrestre?

É óbvio que isso é uma manifestação das elites. E isso não tem nenhuma retórica lulista, nem chavista. Esta escrito; e só ir lá e ler!

Esse “Cansei” não tem nenhuma representatividade diante da realidade do país, que é muito mais caótica do que qualquer caos aéreos. Morre muito mais gente de fome, na violência das favelas, nas lavouras ilegais de cana-de-açúcar, etc., do que já morreu de gente em todos os acidentes aéreos desse país.

Uma morte num acidente de avião vale mais do que uma morte por fome. Todos sabemos que não! A diferença é que a fome afeta muito mais gente. Mas ter fome não dá o direito de se cansar!

A direita não direito de falar que está cansada de nada. Ela governa esse país a mais de quinhentos anos. Eles não têm direitos de estar cansados do Lula. EU tenho direito... A esquerda de verdade tem direito... Os pobres têm direito... Os trabalhadores têm direito.

Só que esses não tem direito de ficar cansados, pois eles têm muito o que fazer enquanto as elites aguardam seus vôos atrasados nos aeroportos do país.

Eu CANSEI! Cansei do Lula! Cansei da mídia! Cansei dos advogados, médicos e engenheiros! Cansei dos empresários! Cansei dos expeculadores do mercado financeiro! Cansei dos Renan Calheiros, ACMs e outros caudilhos! Cansei das Igrejas, Sinagogas, Templos! Cansei dos Papas, dos Rabinos, dos Monges, dos Pastores e dos Bispos Macedos! Cansei do Pan, da Copa do Mundo e da Olímpiada! Cansei do Olavo de Carvalho, do Paulo Francis, do Arnaldo Jabor, do Diego Mainardi e do Manhatan Connection! Cansei da Veja, d'O Globo, da Folha de São Paulo, do Estado de São Paulo! Cansei da Globo, da Band, da Record! Cansei do Jô e suas meninas! Cansei da Ivete Sangalo, do Tchan, do Bonde do Tigrão e da Dança da Garrafa! Cansei de Jesus, Maria, José, Moisés, Alá! Cansei de Jesus Sangalo! Cansei do "Cansei"! Cansei de mim e do Profeta!

Cansei!

Noel!? Que Noel?

Quem conhece o Profeta sabe o tamanho da preguiça que toma esse ser.
Essa preguiça acaba atrapalhando, muitas vezes, o trabalho do seu encarnado, que às vezes fica prostado em frente à TV, mesmo tendo um milhão de coisas para fazer.
As madrugadas são o período do dia em que o Profeta e seu encarnado mais rendem, mas o maldito eletrodoméstico e o belo sofá em frente a ele são convidativos para uma breve pausa.
Nas madrugadas de zapping é impressionante a quantidade de bizarrices que se pode encontrar. Desde programas de vendas com sérias limitações orçamentárias a filmes hollywoodianos milionários, mas de qualidade duvidosa.
Ontem o que atrapalhou minha noite de estudos foi o filme brasileiro "Não Quero Falar Sobre Isto Agora" (1991, Mauro Farias). A qualidade do filme é bastante duvidosa (Leia no fim do post a coluna "PB Critica"), mas um diálogo marcou.
O personagem de Evandro Mesquita, que durante o filme faz milhares de citações do poetas, tenta reconquistar a namorada (interpretada por Marisa Orth). Depois de muito tentar convencê-la, com uma lábia de malandro da Tijuca, manda a seguinte pérola:

- Me sinto como Noel!
A namorada faz cara de espanto, esperando mais uma citação poética, e pergunta:
- Que Noel?
O "malandro" responde:
- Papai Noel! Ninguém acredita em mim!



Não sei se era o sono, mas dei uma gargalhada meio involuntária.

Logo me lembrei de um outro programa de TV da madrugada, que tinha assistido outro dia. Um "Som Brasil", da Globo, em homenagem a Noel Rosa.
Todos sabem que eu sou mais do Rock and Roll, mas meu espírito carioca inconteste, me aproxima cada dia mais do samba. Não ouço samba em casa. Mas convesso que prefiro mil vezes ir a um Samba do que ir a essas boates alternativas que tocam um rock de qualidade lastimável (sem falar, é claro, das lamentáveis boates de playboy, onde você corre sério risco de apanhar a qualquer momento, sem motivo algum).
Esse programa me surpreendeu positivamente. Uma produção impecável (tanto visual, quanto auditiva). No "PB Critica" você poderá ler sobre as minhas impressões.



"PB Critica"

O "PB Critica" é um espaço criado para o Profeta fazer o que ele mais gosta: criticar. Vale tudo, principalmente manifestações culturais como shows, filmes, discos, programas de TV, etc.
No fim da crítica, haverá sempre uma cotação de bananas. Apesar da conotação negativa atribuída, muitas vezes, à fruta, quanto mais bananas, melhor. A cotação varia de 0 a 5 bananas.
Começo com os espasmos da madrugada, citados no post:


"Não Quero Falar Sobre Isto Agora"
Filme
(1991, Direção: Mauro Farias)
Sinopse:
"Daniel é um aspirante a escritor que acaba de levar um fora da namorada rica. Sem dinheiro, ele é expulso do hotel onde mora e vai viver no apartamento de sua melhor amiga. Ao pegar carona com um traficante procurado pela polícia, Daniel se mete numa grande encrenca." (sinopse do site da Rede Globo).
PB Critica:
É difícil classificar um filme como esse. Parece que foi feito de sacanagem. Um texto estranho e uma história idiota, mas que por incrível que pareça te prendem em frente da tela. As atuações não são das melhores, mas o estilo canastrão de Evandro Mesquita acaba agradando a quem gosta de coisas bizarras como eu. O ponto forte do filme são os diálogos bestas recheados de palavrões (me fez lembrar "Hermes e Renato" muitas vezes). Acho que isso que prende.
Cotação bananísticas:

2 bananas
pela diversão



"Som Brasil - Noel Rosa"
Programa de TV
(2007, Direção: Não informada)
Sinopse:
Programa que reúne, mensalmente, novos nomes da música brasileira para homenagear um grande compositor do país.
PB Critica:
Surpreendentemente bom. O formato é interessantíssimo: quatro bandas diferentes tocam músicas de um compositor famoso, no caso, Noel Rosa. O mais legal é a edição do programa. Fora os cortes para os intervalos comerciais, o programa é feito todo de uma fez só, ou seja, as bandas tocam uma após outras sem parar. Na transição de uma banda para outra, a câmera se desloca até chegar a banda de seguinte. Claro, que há cortes de imagem, já que existem milhares de câmeras... mas o efeito é legal... dá impressão de ser um programa ao vivo.
Participaram do programa a Orquestra Imperial, Lucas Santana e Seleção Natural, Marcos Sacramento e Maria Rita. O nível músical geral foi muito bom, com excessão à voz esquisita (meio que sugada do Djavan) do tal do Marcos Sacramento e de mais uma aparição desprezível do "Hermano" Rodrigo Amarante (nem vou comentar, esse cara não merece). O ponto alto foi, pra mim, a deliciosa música "Conversa de Botequim", interpretada pela não menos deliciosa Maria Rita. Voz deliciosa... (tá vai: ela também... faz tempo que eu tenho achado essa moça muito atraente. Esse vestidinho lilás não me deixa mentir)



Para ver um trecho do mesmo vídeo com melhor resolução clique aqui.

Cotação bananística:

4 bananas
Só não foi cinco por causa do Amarante.



Comentário do Bemvindo:

Se a Globo sabe e tem condições de fazer programas tão bons como esse, por que não faz sempre? E quando faz, por que coloca às 3 horas da manhã?

02 Agosto 2007

Mais uma vítima da imprensa: EU! (Parte 2)


No último dia 31, escrevi um post sobre a postura da imprensa, que ao entrevistar alguém, manipula o entrevistado a responder o que eles querem que seja divulgado.

Naquele post, contei como uma repórter tentou, de todas as maneiras, fazer com que eu falasse sobre como a greve dos funcionários do Ministério da Cultura foi ruim para a sociedade. Mas eu deixei claro o tempo todo que era a favor da greve. Ela então tentou levar a “conversa” para um lado mais “prático”, tentando deixar passar a idéia de que eu estava indo à Biblioteca logo no primeiro dia, pois estava esperando há muito tempo que ela abrisse. Ou seja, ela quis manipular as minhas impressões. E pior, acabou inventando uma coisa que eu jamais disse. Veja a reportagem completa e tire as conclusões:




Servidores da Cultura suspendem greve, mas querem proposta

Fim da paralisação em definitivo só acontece após reunião com representantes do Ministério do Planejamento


Roberta Pennafort, do Estadão

RIO - Depois de mais de dois meses de greve, os servidores da cultura voltaram ao trabalho - a princípio, temporariamente. Nesta segunda-feira, 30, eles irão se reunir com representantes do Ministério do Planejamento, que se comprometeram a apresentar uma proposta para que os funcionários suspendam a paralisação em definitivo. No Rio, a Biblioteca Nacional, uma das principais instituições federais da cultura, funcionou ontem normalmente.

O comando de greve decidiu interromper a greve por dez dias porque o secretário de Recursos Humanos do ministério, Duvanier Paiva, assinou um termo de compromisso em que garantiu que irá apresentar uma proposta aos grevistas durante este período. Jorge Paixão, integrante do comando, disse ontem que esperava que a proposição fosse feita já no encontro desta segunda, em Brasília.

Ele ressaltou que o fato de os trabalhadores terem cedido agora não significa que irão aceitar qualquer oferta. "A contraproposta será discutida pela categoria em todo o País. Se ela for feita amanhã (hoje), teremos assembléia já na semana que vem, para avaliarmos", explicou. "Estamos otimistas; precisamos estar. Mas é claro que temos pé atrás. Em 2004, o governo também assinou termo de compromisso, mas não cumpriu."

Os cerca de 2.300 servidores não abrem mão de três pontos de suas reivindicações: o plano de cargos e salários - aprovado pelo Ministério da Cultura em 2005, mas nunca implementado, por conta da posição contrária do Planejamento -, reajuste salarial e paridade entre ativos e inativos.

A categoria parou no País inteiro no dia 15 de maio; desde então, todos os museus e instituições federais ficaram cerrados ao público (um dos objetivos dos grevistas era sensibilizar o governo federal quanto ao fechamento durante os Jogos Pan-Americanos, que trouxe muitos turistas no Rio). De acordo com avaliação do comando de greve, a adesão foi quase total.

No último domingo, pesquisadores e estudantes voltaram à Biblioteca Nacional. O historiador Vitor Bemvindo, que apóia a mobilização, aproveitou a suspensão para pesquisar para um artigo que tem de escrever. "Vim logo no primeiro dia. A reivindicação deles é justa". Os museus não abriram porque só funcionam a partir de terça-feira.”


Link da "notícia" no Estado de São Paulo: http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac27238,0.htm




Eu nunca falei para ela essa frase: “Vim logo no primeiro dia”. Isso foi uma conclusão que ela mesma tirou e quis dizer na reportagem que eu estava só esperando acabar a greve para ir à Biblioteca Nacional. Tudo foi uma coincidência. Eu fui à Biblioteca naquele dia, porque era um dia que eu tinha livre, não tinha nada a ver com ser o primeiro dia depois da greve.

Mas como a imprensa manipula tudo, ela quis passar a idéia de que eu, apesar de apoiar a greve, estava sendo prejudicado por ela.


Pra mim isso é claramente uma manobra para tentar difamar o direito dos trabalhadores à greve. Isso é um direito legítimo e deve ser usado com responsabilidade, pois é um meio de reivindicação que pode trazer benefícios não só para a categoria de trabalhadores em questão, mas para toda a sociedade.


Logo logo vão voltar com aquela história de “reforma trabalhista”. Os empresários estão doidinhos para acabar com tudo que é direito trabalhista com o pretexto de que é muito oneroso contratar um trabalhador no Brasil. É aquela velha ganância de querer sempre mais. O dia que eles tiverem que pagar menos benefícios para os trabalhadores, os lucros serão maiores.


Quero saber que empresário tem prejuízo por conta de direitos trabalhista. No final das contas, eles repassam toda essa conta para o preço final dos produtos, e quem acaba pagando tudo mesmo é o próprio trabalhador.


Só quero ver no que isso vai dar.


Profeta Banana


Releia o post original clicando aqui: Mais uma vítima da imprensa: EU!

Tela Class

No meio do lixo que vemos todos os dias na TV, um programa vem apresentando uma baixaria de alto nível.

Os incríveis caras do “Hermes e Renato” estão fazendo dublagens alternativas para filmes bizarros. O resultado é muito bom. Eles têm mais talento que muito dublador profissional por aí. Claro que tudo é muito tosco, mas isso sempre foi uma marca registrada do trabalho dos caras.

Escolhi um trecho do "filme" "Vovô é foda". É a segunda parte, mas vale a pena pelas cenas antológicas do neto pegando conselhos sexuais com o avô e depois indo a um prostíbulo:

Se quiser assistir tudo, pode procurar no You Tube (tem todos os episódios), ou baixar os filmes no blog Tela Class Download.

Na MTV (eca), o programa é exibido os sábados, 22:30, com reprises segundas, 23:30, quartas, meia-noite, e sextas, 21h.

Já que é para fazer baixaria, que se faça bem feito (ou seja, do jeito mais escroto possível). E eles fazem isso de maneira magistral.

31 Julho 2007

A origem do Churrasquinho de Gato (ou de Cutia)

Passei o dia todo hoje na Biblioteca Nacional fazendo uma das coisas que mais me dá prazer na minha profissão: pesquisa em jornais antigos. Obviamente que a pesquisa tem um foco, que é o meu tema de estudo, mas é quase impossível não parar para dar uma olhada em alguma notícia interessante, no resultado dos esportes e, é claro, em assuntos bizarros.

Esse tipo de pesquisa é interessante também para ver como quase nada mudou na imprensa. Essa história de imprensa imparcial nunca existiu, a diferença é que na época que eu estudo (final da década de 1950 e início da de 1960) as coisas eram mais evidentes, ou seja, as linhas editoriais dos jornais eram explícitas e eles não tinham nenhuma pretensão de quererem parecer hipocritamente imparciais.

Um exemplo: enquanto o Jornal do Brasil fez ampla cobertura sobre a visita de Fidel ao Brasil, em 1959, dando ênfase ao caráter empreendedor e revolucionário do então-Primeiro Ministro Cubano, O Globo só deu algumas linhas da entrevista coletiva de Castro na ABI.

Por falar nisso, O Globo era um jornalzinho de quinta categoria naquela época. Era uma espécie de Extra dos nossos tempos. Não que ele tenha evoluído muito, mas...

Mas escrevo esse post para compartilhar uma das maiores descobertas da cultura inútil internacional: a origem do churrasquinho de gato.

Foto da versão moderna do Churrasquinho de Gato.
A versão original, descoberta pelo Profeta, vem dos anos 60 e era feita de cutia.

Lendo o Jornal do Brasil de 25 de agosto de 1960, vi uma reportagem que tinha o peculiar título de “Gato por Vaca” com a foto de um ambulante, em frente a Central do Brasil, vendendo uns espetinhos. Não resisti e li toda a matéria. O artigo dizia que havia uma denúncia de que aqueles espetinhos eram feitos com carne de gato. A vigilância sanitária abriu uma investigação e descobriu que o churrasco não era de gato. Existiam fortes evidências de que os camelôs estavam matando as cutias do Campo de Santana para comercializar a carne.

O interessante é que uma senhora, freqüentadora do Campo, já tinha denunciado o sumiço das cutias e a versão que circulava era a de que gatos estavam comendo as cutias. Ou seja, as pessoas comiam cutia pensando que era vaca, com o risco de comer gato. Mas quem levava a culpa eram os gatos, os mais injustiçados de toda essa história. Eram acusados de ser cozidos em churrasqueiras e de comer as cutias.

A matéria terminava dizendo que a carne da cutia tinha uma vantagem sobre a da vaca: era mais fresca, já que era abatida a poucos metros do local onde era vendida. Depois eu que sou irônico.

Profeta Banana

Mais uma vítima da imprensa: EU!



Hoje acabou a greve dos funcionários do Ministério da Cultura. E provavelmente você nem sabia que eles estavam em greve. Eles aproveitaram para fazer uma greve durante o Pan, porque acharam que nesse período o movimento nos Museus e Bibliotecas iria aumentar e a repercussão seria maior. Ledo engano! O governo continuou dando a mínima para os grevistas e a repercussão foi a mesma de sempre: nenhuma!

Pelo menos não foi negativa, já que a imprensa sempre tenta passar a idéia de que grevista é vagabundo que não quer trabalhar e fica atrapalhando a vida dos outros.

Aproveitei o fim da greve para ir fazer umas pesquisas para um artigo que eu estou escrevendo. Ao chegar na porta da Biblioteca Nacional fui interpelado por uma repórter que me veio fazendo perguntas afirmativas com um caderninho e uma caneta em riste sem nem se identificar.

Repórter:
Você veio aqui por causa do fim da greve, né!?

Eu:
– Não, fim fazer uma pesquisa.

Repórter:
– Mas a grave atrapalhou sua pesquisa, né!?

Eu:
– Não muito, eu aproveitei pra fazer a pesquisa em outros lugares.

Repórter:
– Mas você não acha que a greve prejudica quem quer ter acesso à cultura?

Eu:
– Acho que a greve foi feita porque os funcionários estão preocupados com o acesso à cultura.

Por uns dois minutos a repórter ficou querendo que eu dissesse que a grave é péssima, que atrapalhou a minha vida e que os grevistas sãos uns filhos da puta. No fim ele perguntou o meu nome, idade e profissão. Falei pra ela que se fosse publicar algo no meu nome, que ressaltasse o fato de que eu era favorável ao movimento dos grevistas da cultura.

Pena que eu não sei onde vai sair isso... eu aposto que se ela fosse fazer uma manchete escreveria:

“Historiador diz que a greve atrapalhou suas pesquisas”.

Essa é a imprensa do nosso país! Formula perguntas afirmativas, querendo respostas convenientes.

Acho que o sentido de imprensa, para os jornalistas brasileiros, vem do verbo "imprensar": "imprensa que ele responde o que você quer".

Profeta Banana

26 Julho 2007

Assombração

A minha homenagem ao Toninho Malvadeza gerou, em algumas pessoas, uma reação de aversão religiosa. Dizem que mexer com os mortos dá mau agouro.
Algumas pessoas me disseram: "cuidado, ele vai vir a noite puxar seu pé na cama".

Acho tudo isso uma crendice popular. Mas, por via das dúvidas, lancei um joguinho na internet para me livrar de qualquer tipo de assombração:

Nele, você pode exorcizar qualquer tipo de agouro ou encosto-político. Para jogar, clique em "Play".


Outra opção, é se divertir com outro joguinho, que representa uma brincadeira entre Toninho Malvadeza e seu mais novo aliado político no além. Para jogar, faça o mesmo esquema:



Divirtam-se!

Profeta Banana

PS: Registrem seus recordes nos comentários!



Comentário do Bemvindo:

Quem conhece o grande Bruno Bemvindo, pode se divertir com joguinhos similares, mas com essa grande figura do humor carioca.

Acessem os links:

Chute a Bunda do Bruno:
http://www.pictogame.com/getcodes.php?g ame=3YK50DTS2wR2&type=6

Bruno Mortinho Cinaf
http://www.pictogame.com/getcodes.php?g ame=1olNOWdMuVKB&type=6

Bruno Street Girls ou Spice Brunas
http://www.pictogame.com/game.php?game= fTj0bNNOL2t1

Bruno Espinhento
http://www.pictogame.com/getcodes.php?g ame=3tQxnWwaRgiH&type=6

Simpsonmizado


Normalmente essas brincadeiras de internet não são das mais interessantes.
Mas outro dia eu descobri uma muito divertida: transformar uma foto de uma pessoa qualquer em um personagem dos Simpsons.

O site é esse:

http://www.simpsonizeme.com/

O processo é meio trabalhoso, mas o resultado é interessante. Você tem que arrumar uma foto estilo 3X4 sem fundo. Depois enviar para o site (fique atento para a resolução mínima pedida). Depois é só preencher algumas características como sexo, idade, cor da pele, etc. Depois de pronto é só fazer alguns retoques.

Veja como o Bemvindo ficou:


Profeta Banana

24 Julho 2007

Desertores Políticos ou Fugitivos Ambiciosos?

Sempre que uma notícia se relaciona a algum assunto referente a Cuba, as repercussões são desproporcionais aos fatos.

O assunto do momento, nos noticiários do Pan, são os atletas cubanos desertores. A maioria das análises, recheada de conteúdo ideológico, baseia-se na idéia de que esses cubanos estão fugindo de um regime repressor e avesso às liberdades individuais. Mas será que esses atletas fogem da repressão política?

Na minha opinião, não. Para mim é óbvio que esses atletas estão tentando ter maiores benefícios materiais do que apenas o mérito esportivo. O que está em jogo é dinheiro, e não a questão política.

O primeiro “desertor”, Rafael Capote, jogador da seleção de handebol cubana, afirmou, em entrevista à Globo, que no Brasil ele teria mais condição de viajar e crescer profissionalmente. Veja a reportagem global clicando aqui.

Rafael Capote gastou 600 reais para fugir
da Vila do Pan para São Paulo de táxi.

Ontem foi noticiado o desaparecimento de dois pugilistas cubanos, favoritos ao título do jogos Pan-Americanos, e apontados como potenciais grandes campeões. O caso dos pugilistas é ainda mais interessante. Segundo investigação da Polícia Federal, os atletas teriam fugido para o Paraguai, de onde tomaram um vôo para Alemanha. Obviamente um cubano não teria condições de fazer uma viagem de tal porte com suas próprias finanças, o que indica que há ação de empresários do mundo bilionário do boxe profissional por trás da deserção. A profissionalização de atletas é proibida em Cuba, e muitos deles deixam o país com o intuito de ganhar dinheiro com o talento esportivo.

Guillermo Rigondeaux, campeão olímpico em Atenas 2004,
é um dos dois pugilistas cubanos "desertores".

A questão é que em Cuba o esporte é visto como uma forma de educação e de saúde. O esporte de alto-nível é resultado de uma política que associa o esporte à educação, ou seja, o esporte não é visto como uma profissão. Não sei se isso é certo ou errado, mas sei que essa política além de manter Cuba com índices educacionais muito mais favoráveis do que o de países “livres” o como Brasil, acarreta em tornar um país com 5% do número de habitantes do Brasil a ter resultados esportivos muitas vezes mais expressivos do que o dos atletas brasileiros.

Desde 1951, Cuba conquistou 1658 medalhas, sendo 722 de ouro. Já o Brasil, no mesmo período, conquistou um total de 766 medalhas, sendo apenas 187 de ouro.

A delegação cubana nos jogos Rio 2007 é formada por mais de 470 atletas. Desses, três “desertaram”, o que representa menos de 1% da delegação. Será que se a situação fosse tão grave esse índice seria tão pequeno?

Faço essa pergunta por conta do depoimento emocionado que acabo de ver, no Sportv, da ex-atleta Ana Quirot, que agradeceu, de maneira comovente, à medicina cubana que a salvou da morte após um acidente que queimou boa parte do seu corpo. Ela afirmou ainda que só pôde continuar a sua carreira, sendo campeã mundial, graças ao investimento feito pelo governo cubano. Assista o depoimento clicando aqui.

Quirot, após ter seu corpo queimado, foi campeã mundial e
medalhista olímpica, graças a força da medicina cubana

Ana Quirot e a ex-jogadora de vôlei Regla Torres explicaram como o investimento no esporte é feito na ilha de Fidel. Vale a pena conferir, clicando aqui.

Ficam as perguntas: qual a opinião mais importante: a de Rafael Capote e dos pugilistas ou a de Ana Quirot e de Regla Torres? Quem representa, realmente, o espírito do esportista cubano: os menos de 1% dos “desertores” ou os mais de 99% dos atletas que disputarão os jogos e retornarão para Cuba com um enorme número de medalhas?

Não pretendo responder essas perguntas. Apresento apenas dados para reflexão, omitidos, propositalmente ou não, pela grande imprensa.


Dicas do Profeta sobre o tema:

Filme:


“Balseros” (Direção: Carlos Bosch e Joseph Maria Doménech)

Documentário catalão sobre a situação dos cubanos que tentam a imigração para os Estados Unidos. O filme retrata a situação dos imigrantes antes, durante e quatro anos após a viagem de balsa para o vizinho do norte. É interessantíssimo notar as principais motivações dos “balseros”, quase nunca se relacionando com motivos políticos.

Para mais detalhes sobre o filme, clique aqui (site em espanhol).

Livro:

"Cuba: Democracia Ou Ditadura?" (Marta Harnecker) Editora Global

A autora faz uma análise dos conceitos de ditadura democracia, e tenta analisar o caso cubano.

23 Julho 2007

Toninho Malvadeza (*04/09/1927 †20/07/2007)

Faleceu no último dia 20 de julho, uma grande força política de nosso país. Um grande homem, um Democrata!

Toninho Malvadeza (*04/09/1927 †20/07/2007)


Como uma singela homenagem, reproduzo parte de um antigo post, no qual fiz a descrição do "novo" partido brasileiro, o Democratas. Naquela ocasião eu destacava o espírito pioneiro e desbravador desse grande democrata brasileiro. Releia:

"Toninho é dono de um estado inteiro, e político nas horas vagas. Um homem de garra, não satisfeito em ser somente o dono do estado, quis governá-lo por três vezes. Hoje, o Toninho também é um Democrata, apesar de alguns deslizes no passado. Ele começou a vida política na União Democrática Nacional (ou seja, um democrata desde o começo). Tá certo que essa tal UDN tentou dar dois ou três golpes de Estado, mas foi para garantir o Estado democrático de direito. Em 1964, deu total apoio aos Revolucionários que, durante mais de 20 anos, evitaram que os comunistas comessem nossas criancinhas. Fez parte da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), um partido chamado, maldosamente, de partido de sustentação da ditadura. (Que ditadura?) Toninho sempre gostou dos jovens: em 1989 ajudou o Fernandinho a virar presidente, e o apoiou nos momentos mais difíceis. Em 2001, Toninho mostrou-se a frente de seu tempo ao demonstrar-se totalmente contra ao voto fechado no Senado. Em protesto ele violou o painel para saber quem tinha votado no quê. Uns caras chatos, principalmente uma mulherzinha que está sempre com a mesma roupa, obrigaram Toninho a sair de cena. Mas na eleição seguinte ele voltou nos braços do povo. Depois de ser da Frente Liberal, Toninho resolveu ser Democrata. O amiguinho de Toninho, que ajudou no protesto também saiu de cena, mas hoje é Democrata e governador lá na capital".

BANANA, Profeta. "Uma ARENA Democrata? (ou embalagem nova, produto velho)". In: Blog Profeta Banana. Rio de Janeiro. 06 de julho de 2007.


Diante de tão brilhante biografia, faço aqui uma sugestão: A Canonização de Toninho Malvadeza!

Melhor, sugiro que o Frei Galvão seja "descanonizado" e que Toninho seja, justamente, o PRIMEIRO SANTO BRASILEIRO.

Saudades, Toninho!


Profeta Banana



Comentário do Bemvindo:

Nesses momentos é que eu gostaria de ter fé, nos moldes católicos. Queria acreditar que esse cidadão prestará contas com alguém em outra vida.



19 Julho 2007

Oportunismo na tragédia

O momento é de comoção nacional. Prato cheio para os mais distintos tipos de oportunistas que se aproveitam de um momento de dor e tristeza para lucrar, aparecer, ganhar capital político, etc.

A tragédia do vôo 3054, que a princípio parece ter chocado a todos nós, não sensibilizou por completo a sociedade. As pessoas parecem não perceber o quanto isso pode ser lucrativo pra muita gente, e ao invés da natural revolta, o que se nota é um clima de desânimo e aceitação.

Escrevo para a manifestar minha revolta não com o acidente, mas sim com a repercussão. É óbvio que me comovo com as centenas de morte, mas não posso avaliar o acidente e culpar ninguém, já que não sou nenhum especialista no assunto nem, muito menos, oportunista. O que não posso aceitar é que pessoas se utilizem uma tragédia para ter retorno profissional, político e principalmente econômico.

Eis os tipos de oportunismos que mais me chocam:

1 – O oportunismo jornalístico:

Não é de hoje que noto a tendência à urubu da imprensa. É impressionante a capacidade jornalística de explorar a miséria, a tragédia e a fraqueza humana. Há muito tempo o papel da imprensa deixou de ser informativo e passou a ser o de prender as pessoas à frente da TV, ou comprar o jornal com a manchete mais sensacionalista. Esse episódio é prova disso. Hoje assisti os dois telejornais globais que abusaram da especulação sobre o acontecido e da exploração da tristeza dos parentes. Nesses momentos os jornalistas têm a incrível capacidade de se tornarem especialistas em assuntos técnicos da noite para o dia. Mas o que mais me angustia é essa idéia de cobrir uma tragédia em loco: ficar no local do acidente, na porta de hospital, na porta do IML. A isso chamo “comportamento urubu”.

Outro aspecto é tratar pessoas como números: “Até o momento, foram confirmadas tantas mortes”, “é o maior acidente da história”. Não são números que estão sendo agregados a estatísticas, são vidas que foram perdidas.

Sinceramente, não vejo nenhuma pretensão informativa nesse tipo de jornalismo. Pra mim, é uma maneira cruel de atrair telespectadores, leitores, anunciantes, etc.

O site de "notícias" G1.com.br (do grupo Globo.com) incentiva seus leitores a fotografarem o local do acidente para serem divulgadas no site. A foto a cima é um exemplo. Mais uma atitude irresponsável da imprensa!


2 – O oportunismo político

Assim que soube do acidente, logo previ o que aconteceria no dia seguinte: uma enorme quantidade de políticos dando pitacos sobre o que não entendem e querendo colocar a culpa no governo. Não que eu não ache que o governo tem culpa, mas acho que se deve o mínimo respeito as pessoas que morreram. Utilizar a morte de pessoas inocentes para ganhar capital político é, no mínimo, deplorável.

O Serra virou entendido de aviação civil, quer acabar com o aeroporto de Congonhas, mas diz que isso é da esfera federal e promete pressionar.

O cara-de-pau do Arthur Virgilio aparece na TV, quase aos “prantos”, dizendo as seguintes palavras:

“Estava pensando aqui: cobrar providências enérgicas parece que a gente também faz parte de um teatrinho. Sempre se cobram providências enérgicas e as providências enérgicas não vêm” - disse o senador e ator frustrado.

Choroso, Arthur Virgílio (PSDB-AM) se diz cansado de "teatrinho".

TEATRINHO!! Eis alguém que pode falar bem de teatrinho. Nojento, deplorável e desprezível são adjetivos que não dão conta de descrever o quanto um sujeito desse tipo não vale nada.

Pela primeira vez na vida, vi senadores interromperem seu sagrado “recesso” para se ocuparem de “investigação” de um acidente.

Daqui a pouco ninguém lembra mais do Renan Calheiros.

3 – Oportunismo econômico

Esse tipo de oportunismo é o que mais me revolta. Como pode alguém pensar em lucros num momento desse? Mas, por incrível que pareça é a primeira conseqüência direta de uma tragédia.

Menos de 24 horas depois do acidente, as ações da TAM caíram mais de 9%. Ou seja, vários investidores correram para vender ações com medo que a tragédia trouxesse prejuízos. Só falta fazer a relação mortes/pontos percentuais no mercado financeiro. Daqui a pouco a bolsa vai cair ou subir de acordo com o número de corpos encontrados pelos bombeiros. É deprimente!

Fora isso eu vi um empresário no Jornal da Globo, dizendo que é temerário o fechamento do aeroporto, como proposto pelo Ministério Público, já que isso poderia ocasionar prejuízos não só para as companhias aéreas, mas também para o setor de serviço da cidade de São Paulo. Isso quer dizer: “mesmo que a pista esteja horrível, não podemos fechar o aeroporto, pois os nossos lucros diminuirão. Se morrer mais gente, não é problema nosso”.

Quando ouço coisas desse tipo, tenho ânsia de vômito!

Vamos ver quanto tempo vai demorar para aparecer aqueles famosos advogados bem intencionados querendo "ajudar" as famílias das vítimas.

Profeta Banana

18 Julho 2007

Atrasado, Cauê leva uma 'dura' no Engenhão


Parece que os esquema de segurança do Pan está funcionando bem:


Notícia da Globoesporte.com:

http://pan2007.globo.com/PAN/Noticias/0,,MUL72519-3853,00.html

"O mascote dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007, o solzinho Cauê, quase foi barrado na entrada do estádio João Havelange (Engenhão), nesta quarta-feira, antes da partida de futebol masculino entre Brasil e Costa Rica. Isso porque Cauê chegou atrasado, por volta das 15h05m, para a partida que começaria às 15h30m.

O mascote chegou apressado em um furgão, e a pessoa que estava no carona do automóvel pediu que os policiais permitissem a passagem urgente do carro, porque quem estava passando era ninguém menos que Cauê. Tudo isso foi em vão. Os homens da força nacional de segurança não atenderam aos pedidos e mandaram o solzinho descer do furgão.

Ao sair do carro, Cauê foi revistado pelos policiais, que ainda passaram o detector de metais no amarelinho. Depois da dura recebida na entrada, o solzinho só conseguiu entrar em campo às 15h10m, 20 minutos antes da partida começar."

Se fosse eu que escrevesse isso, ninguém ia levar a sério.



Profeta Banana



17 Julho 2007

Edição Especial da Playboy para Botafoguenses

Depois de ter que cancelar um dos eventos de lançamento da revista Playboy do mês de julho por causa da ameaça de protestos de alguns botafoguenses, a direção da revista resolveu lançar uma nova edição especialmente para os torcedores do Botafogo:

EXCLUSIVO!! Profeta Banana mostra, em primeira mão, a capa
da Playboy Edição Especial para Botafoguenses


Os torcedores do alvinegro carioca reclamavam que não aguentavam mais olhar para a cara da bandeirinha Ana Paula Oliveira. Assim sendo, os editores da Playboy resolveram relançar a revista com um rosto mais simpático aos torcedores do time da estrela solitária.

O sucesso da nova edição está garantida. A Editora Abril espera alcançar quase a totalidade dos torcedores botafoguenses vivos, vendendo cerca 32 (trinta e dois) exemplares.

Profeta Banana


Comentário do Bemvindo:

A notícia (piada) é meio velha. Porém, mais uma vez, o Profeta saiu na frente e nos trouxe um furo de reportagem: a capa da edição especial de Playboy. Parabéns Profeta!

12 Julho 2007

Duelo de Técnicos

Finalmente chegamos a final desse intigrante torneio que é a Copa América. Mais uma vez, as grandes equipes como Peru, Chile, Venezuela e Bolívia foram injustiçadas em detrimento do lobby em favor dos tradicionais times de Brasil e Argentina.
Mesmo sem o brilho de atletas do nível de Arango (Venezuela), teremos um jogo final cheio de alternativas.
O Brasil promete vir forte com o craque Fernando distribuindo o jogo. O meia do Toulouse (ou será Bourdeaux? Bangu? Juventus, o moleque travesso? sei lá!) promete dar o sangue.
Do lado argentino o meio-campo meio aceso meio apagado Riquelme promete seguir os passos de seu ídolo Alex (meia brasileiro do Fenerbahçe), e tentar não dormir em campo.
Mas o principal embate será entre os técnicos. Do lado da Argentina, mesmo com uma forte infecção de garganta, o técnico Alf Basile promete um time ofensivo. Alf encarregou o botinudo Zanetti de ofender a mãe de todos os atacantes brasileiros.
Já o técnico Zangado (ex-Dunga), promete um time mais solto. Prometeu soltar os 20 quilos amarrados nas costas do goleiro Doni, deixando o infeliz dar três ou quatro saltos durante o jogo. A principal dúvida é se o time brasileiro vai a campo no esquema 7-2-1, ou 3-7-0, com o meio-campo formado por Gilberto Silva, Mineiro, Josué, Julio Baptista, Fernando, Hélton e Alex Silva (improvisados como volantes).
Caso o consiga o seu objetivo (empatar em zero a zero), o técnico Zangado promete promover ao time titular um enorme goleiro de botão, feito com uma caixa de fósforos gigantesca recheada com mais de três bilhões de reais em moedas de 10 centavos. Com sorte, algum argentino chutará a bola em cima da caixa, assim como fez Lugano com Doni.


Por falar em Lugano, em entrevista exclusiva ao Profeta, ele afirmou ter perdido o penalti contra o Brasil por causa do mau-hálito do goleiro brasileiro, que o agrediu com uma baforada na cara na hora da cobrança.

Confira a foto exclusiva:


Momento em que Doni agride covardemente, com seu bafo, Lugano.
O zagueiro desperdiçou a cobrança e o Uruguai foi eliminado da Copa América.

11 Julho 2007

Profeta! Que Profeta?


Ilustração do Profeta Banana feita por Rafael Bemvindo em 2004.
Todos os direitos reservados.


Muitas pessoas tem acessado o blog, lido os posts, mas sem saber da verdadeira história do Profeta Banana.
Os posts, por si só, não dizem nada.

Conheça a verdadeira história do Profeta clicando aqui: A Origem do Profeta Banana.

O post é longo, mas vale a pena. Leia e comente.

Profeta Banana

09 Julho 2007

Que Maravilha!


"Só se fala em outra coisa": as melhorias trazidas pelo Pan 2007 à cidade do Rio de Janeiro. São muitos os benefícios implementados pelos governos municipal, estadual e federal, além da sempre atuante iniciativa privada.

Nunca na história os meio-fios dessa cidade estiveram tão impecavelmente pintados. E o que dizer das listas laranjas pintadas nas pistas? Lindíssimas!

Fora as instalações esportivas... um primor. Ouvi falar que vão liberar o Maracanã e o Engenhão para os peladeiros do Aterro. Um belo benefício pra população carente da cidade. É um pouco difícil chegar às tais instalações? Sim, é difícil. Mas os nossos representantes têm que priorizar o que mais importante: melhor ter um ginásio de primeira linha do que linhas de ônibus e metrô... essas coisas estragam muito fácil. Esses estádios, ginásios, piscinas vão ficar pra sempre. Muito bem cuidados como o autódromo, o estádio da Rua Bariri, da Gávea, e das Laranjeiras.

Na área da segurança os esforços são mais evidentes. Que maravilha o uniforme da Força Nacional de Segurança! Uniformes camuflados são fundamentais para se esconder nas selvas da cidade. As boinas vermelhas são para até confundir os bandidos, que acharão que os soldados são meras macieiras inocentes. O estilista responsável está de parabéns!


Dois soldados da FNS disfarçados.
O da esquerda foi reprovado no teste de camuflagem.


A Guerra do Complexo do Alemão já é reflexo das novas políticas de segurança. Sim, morreram 44 pessoas, dentre estas alguns bons inocentes, mas segundo nosso governador e descobridor Cabral, isso faz parte da nossa guerra.

Mas para resolver esses pequenos problemas, nosso governador já contratou um belo reforço para as forças de segurança cariocas: Jack Bauer, que desembarcou com sua tropa no Rio na última semana. Agora vai!


Jack Bauer desembarca no Galeão. Reforço do time de Cabral chega
com status de estrela e promete resolver os problemas da cidade em 24 Horas.


Parece que o MacGyver, Frank Drebin e Axel Foley estão na mira do dirigente do Estado e podem reforçar o time.


MacGyver (à esquerda), Drebin (centro) e Foley (à direita)
devem ser apresentados ainda esta semana.


Para coroar esse imenso esforço para a melhoria da cidade, o Cristo foi eleito uma das 7 maravilhas do mundo. Ele promete retribuir a confiança dos eleitores trazendo às Olimpíadas de 2096 para a cidade. Amém!



Profeta Banana



Comentário do Bemvindo:

Será que alguém me consegue um ingresso pra final do vôlei?

06 Julho 2007

Uma ARENA Democrata? (ou embalagem nova, produto velho)


Na névoa política brasileira contemporânea é cada vez mais difícil enxergar os caminhos. Como entender o posicionamento ideológico de um político, de um partido ou até mesmo de um movimento social? O que é um partido político hoje em dia? Qual a intenção de alguém ao se filiar a uma agremiação desse tipo?

Muitos chamam essa névoa de crise dos paradigmas, que se originou com a Queda do muro de Berlim e o advento das políticas neoliberais. As alternativas de posicionamento na política parecem ter terminado, ou seja, só existem dois posicionamentos políticos possíveis: ser um político ou não ser. O meio político tornou-se um enorme caminhão de japoneses engravatados.

A culpa disso é de quem? Do pós-modernismo? Do fim das esquerdas? Do retorno ao liberalismo voraz, no qual o público só serve senão para servir às questões da maximização dos lucros privados?

No meu entender, no Brasil acontece um pouco de tudo.

Particularmente eu não acredito na crise dos paradigmas. Creio que cada partido possui sua posição ideológica bem definida, mas não interessa que isso seja muito divulgado. Quem da esquerda quer ser vinculado a Stalin, ou mesmo a Kim Jong-il? Do mesmo modo, quem da direita quer ser comparado a Hitler, ou mesmo a Bush?

Esse tipo de comparação não é mais interessante. É bom que o projeto ideológico do partido fique bem escondido lá no estatuto, afinal, ninguém sabe mesmo que partido tem estatuto. Experimente entrar no sítio do Partido dos Trabalhadores (PT) na internet: garanto que você não conseguirá encontrar facilmente o tal estatuto, mas ele existe. Mas ele existe e por incrível que pareça, e o texto na internet foi revisado em 2001. Mas porque foi revisado? A resposta para mim é simples: as derrotas nas eleições de 1989, 1994 e 1998. No mesmo sítio você pode encontrar os textos da época da fundação do partido, todos eles recheados de conteúdo teórico-ideológico. Em 2001, o estatuto não passa de um mero aglomerado de regras da postura política-partidária petista. As palavras socialismo, esquerda, ideologia não aparecem nenhuma vez no documento. Ali, o PT se define como pluralista. Mas que diabos é esse pluralismo?

Mas isso não acontece só com o PT. Quer coisa mais esdrúxula do que uma oposição de direita formada pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), pelo Partido Popular Socialista (PPS) e pelos Democratas (DEM)? O Brasil é único mesmo: um país com uma Social Democracia e Popular-Socialismo de direita. (Qualquer semelhança com o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores seria mera coincidência?)

As siglas de todos esses partidos não significam absolutamente nada; são meros emaranhados de letras. Na página do PSDB é difícil até encontrar o nome do partido por extenso.

A novidade dessa coalizão de direita são os Democratas. Mas quem são eles? Formam um partido? São pessoas independentes que entraram na política recentemente?

A resposta é: os Democratas são o mais novo produto do marketing político brasileiro. Eles não tem partido no nome; “Democratas” é uma marca, um novo rótulo.

O problema é que a embalagem é nova, mas o conteúdo é bem antigo. Infelizmente esse produto não tem prazo de validade. Ele até estraga, mas nada como uma embalagem bonitinha pra que a gente o engula novamente sem reclamar.


Percebam a nova embalagem:

Será que eles querem esconder alguma coisa?

Olha que gatinho o líder Democrata na Câmara:

E ele é jovem: só tem 37 anos. E é político desde os 26 anos, quando foi nomeado Secretário pelo ex-prefeito Conde. E você jovem? O que está fazendo aí parado olhando para essa tela? Engaje-se já nesta carreira e seja útil para o seu país. Os “Democratas” tem até uma sede virtual no “Second Life”. Que moderno!

Olha esse outro gatinho:

Só 28 anos e já está no seu segundo mandato como deputado federal. Que partido jovem!


Além disso, é um partido de família. O primeiro pitel é filho do prefeito da cidade do Pan (sucesso total). O tal prefeito, tem larga experiência política: começou como Comunista, depois virou um Trabalhista à Brizola, mais a frente mudou de idéia e resolveu ser um Liberal, mas quando brigou com um ex-aliado passou a ser um Trabalhista Brasileiro à Roberto Jefferson. Mas logo viu que o ex-aliado queria mesmo é brincar com Garotinhos, e então voltou a ser Liberal. Agora é um Democrata.

O segundo filezinho também tem berço. E que berço! O tio dele é nome de aeroporto, avenida, memorial e até de município na Bahia. Uma pena ter morrido também jovem; seria um jovem presidente.

O avô é dono de um estado inteiro, e político nas horas vagas. Um homem de garra, não satisfeito em ser somente o dono do estado, quis governá-lo por três vezes. Hoje, o avô também é um Democrata, apesar de alguns deslizes no passado. Ele começou a vida política na União Democrática Nacional (ou seja, um democrata desde o começo). Tá certo que essa tal UDN tentou dar dois ou três golpes de Estado, mas foi para garantir o Estado democrático de direito. Em 1964, deu total apoio aos Revolucionários que, durante mais de 20 anos, evitaram que os comunistas comessem nossas criancinhas. Fez parte da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), um partido chamado, maldosamente, de partido de sustentação da ditadura. Que ditadura? O vovô sempre gostou dos jovens: em 1989 ajudou o Fernandinho a virar presidente, e o apoiou nos momentos mais difíceis. Em 2001, vovô mostrou-se a frente de seu tempo a demonstrar-se totalmente contra ao voto fechado na Câmara dos Deputados. Em protesto ele violou o painel para saber quem tinha votado no quê. Uns caras chatos, principalmente uma mulherzinha que está sempre com a mesma roupa, obrigaram o vovô a sair de cena, mas na eleição seguinte ele voltou nos braços do povo. Depois de ser da Frente Liberal, vovô resolveu ser Democrata. O amiguinho do vovô que ajudou no protesto também saiu de cena, mas hoje é Democrata e governador lá na capital.

Marco Maciel, Agripino Maia, Romeu Tuma, Heráclito Fortes, Bispo Gê Tenuta, José Carlos Aleluia, Solange Amaral... todos eles são Democratas! São da velha guarda, porque quem manda mesmo são os jovens.

O Democratas é NOVO!


NOVO?

Profeta Banana


Comentário do Bemvindo:

Enquanto a antiga esquerda (PT) deixa cair a bandeira da ética, a "nova" direita a levanta fingindo que ela sempre esteve em suas mãos.


04 Julho 2007

Profeta Banana: A Volta de Quem Não Foi

ilustração do "Profeta Banana" feita por Rafael Bemvindo em 2004.
Todos os direitos reservados.

Após 3 anos de inatividade, o “Profeta Banana” está de volta. O blog nasceu em 2002, criado por Vitor Bemvindo. A idéia foi criar um personagem mítico que pudesse expressar suas opiniões recheadas de sarcasmo, ironia e humor negro. É importante ressaltar que o Profeta e Vitor nem sempre se manifestam com a mesma opinião. Nesta nova fase do blog, o criador e criatura interagirão com mais freqüência. As partes mais sérias da análise da vida cotidiana será feita pelo pobre mortal. O Profeta é um ser sábio, que tem um modo muito peculiar de analisar as coisas.

Veja o perfil de ambos:

Criatura:

Nome: Profeta Banana

Origem: O Profeta era um guerreiro galês dos mais habilidosos. Durante as Invasões Bárbaras, no século V, os seguidores do então guerreiro Karlix venceram inúmeras batalhas contra os romanos. Após perder um grande número de companheiros, resolveu se afastar das batalhas e tornar-se um Druida . Voltou a Gália, mais precisamente à ilha de Anglesey (Ynys Môn) e durante mais de cinqüenta anos recebeu ensinamentos de grandes mestres. Durante esse tempo, Karlix ganhou grande respeito em sua comunidade, sendo encarado como espécie de santidade, graças a sua grande sabedoria, que lhe dava a possibilidade de fazer análises que muitas vezes pareciam prever o futuro.

O Druida Karlix, viveu 117 anos, e quando estava prestes a morrer, recebeu a visita de uma entidade que tinha características de uma divindade céltica, mas ao mesmo tempo, com traços de um orixá de umbanda. O nome desta entidade é Lugh Okô. Não existem muitos estudos sobre esse tipo de entidade, mas entende-se que é a integração do Deus Celta Lugh (Deus da Luz, no qual o seu sabá garante fertilidade e grandes colheitas) e do Orixá Okô (divindade da agricultura também ligado à fertilidade de solos e colheitas). Lugh Okô apesar de utilizar vestimentas tipicamente célticas, utilizava-se de uma chibata de couro e um cajado de madeira.

Karlix, que agonizava em seu leito e sofria de fortes dores, recebeu Lugh Okô, que lhe deu três chibatadas, finalmente aliviando a sua dor e levando-o à morte. Após o acontecido, a entidade tirou do seu cinto uma flauta de osso e entoou uma melodia celta. Nesse momento, Karlix desprendeu-se de seu corpo e levitou até posicionar-se tête-à-tête com a entidade, que colocou o cajado em sua fronte. Karlix materializou-se novamente, recebendo um hábito de cor púrpura e um cajado similar ao utilizado por Lugh Okô, que imediatamente lhe enviou ao sudeste da Ásia.

Karlix notou que tinha retornado no tempo. Pelos seus cálculos deveria estar entre 8000 aC e 5000 aC. No local havia uma comunidade primitiva que passava por muitas dificuldades. A fome imperava. Vendo o desespero daquelas pessoas, Karlix empunhou seu cajado e o fincou naquela terra infértil e seca. No mesmo momento começou a surgir uma vegetação densa e verde, e uma espécie de árvore bastante peculiar. Na copa dessas árvores havia frutos diferente de tudo que já se havia visto anteriormente. Eram, de casca amarelada com manchas negras, nasciam em penca e por dentro tinha uma polpa macia e muito doce. O consumo daquele fruto pelos nativos rapidamente fez com que eles ganhassem peso e massa muscular. Onde havia fome, prosperava uma sociedade saudável que com os ensinamentos do Druida Karlix, tornou-se uma das mais evoluídas de toda Ásia. Os nativos batizaram aquele fruto de “banana”, e passaram a adorar Karlix como se fosse o “Deus Banana”. O chefe político daquela sociedade mandou fazer uma escultura em barro, folheada a ouro que reproduzia uma penca de bananas e, numa linda cerimônia, a presenteou a Karlix, que imediatamente a pendurou em seu cajado.

Sua missão no sudeste asiático estava cumprida, logo reapareceu Lugh Okô que o mandou a outros lugares do mundo com o mesmo objetivo, disseminar seus conhecimentos e o cultivo da banana. Durante séculos Karlix, agora o Deus Banana, esteve por regiões da África, hoje conhecidas como Papua Nova Guiné e Nigéria. Em diversas tribos, o ex-Druida repetiu a experiência acontecida no sudeste da Ásia. Na África, Karlix finalmente fundiu as experiências celtas com a cultura africana, aproximando cada vez mais de Lugh Okô.

Karlix passou por Índia, China, Filipinas, Indonésia, Tailândia, Burundi, México, Costa Rica, Equador, Colômbia até que no início do século XIII, chegou ao que hoje chamamos de Brasil. Karlix vinha de uma peregrinação de muitos séculos, e ao chegar nessa terra de clima agradável e lindas praias, resolveu ficar. Tirou umas férias. Durante alguns séculos, Karlix se materializou em índios, portugueses, holandeses, franceses, negros africanos, imigrantes italianos, sempre com o objetivo de disseminar a banana e seus ensinamentos.

No fim do século XIX, ele notou que a banana já estava disseminada suficientemente por todo o mundo e, então, resolveu aposentar-se. Escolheu ficar no Rio de Janeiro, cidades de lindas belezas e de cultura riquíssima.

Chegou na cidade em fevereiro de 1899, em pleno o carnaval. Ficou encantado com aquela festa tão diferente. Ao andar pelas ruas da cidade, todos gritavam: “Olha o Profeta!”. Karlix não entendia muito aquela manifestação. As pessoas se vestiam com máscaras estranhas, roupas coloridas, algumas até se vestiam como demônios. A mesma estranheza de Karlix era a dos populares, que ao observarem o ex-Druida diziam: “Que bela fantasia! Você parece mesmo um profeta”. E assim ficou conhecido: Profeta Banana. Durante esse carnaval, o agora Profeta, voltou a ter prazeres mundanos. A festa da carne, fez com que Karlix deixasse de ser uma entidade divina e voltasse a ser humano por alguns dias. Ele se envolveu com um sem-número de mulheres, mas havia se esquecido de um dos seus dons: o da fertilidade. Ele achava que só poderia fertilizar solos, mas durante os dias de carnaval engravidou cerca de 56 mulheres. O Profeta aprendia ali uma lição: os prazeres mundanos não são para as divindades.

Após os dias de folia, Lugh Okô retornou muito irritado com o Profeta e o puniu severamente. Karlix nunca mais poderia se materializar. A partir daquele momento, o Profeta só poderia passar seus ensinamentos encarnando em outras pessoas. Durante o século passado, o Profeta encarnou em três pessoas. Na década de 1930, encarnou num italiano, tipógrafo de um jornal anarquista, perseguido e morto pela polícia política de Vargas. Na década de 1960, encarnou numa estudante de jornalismo, líder de movimentos estudantis, também perseguida e morta pela nova ditadura.

O Profeta voltou na década de 1980. Resolveu ter uma vida mais tranqüila, e encarnou num recém-nascido carioca, de classe média baixa filho de um militar com uma advogada. O garoto cresceu e virou um historiador. Com muitos conflitos, ele segue sua vida tentando deixar o legado da Banana.


Criador:

Nome: Vitor Bemvindo



Origem: Rio de Janeiro, 1981.

Profissão: Historiador e professor de História

Atuação: No momento faz mestrado em História Política na UERJ, na linha de Relações Internacionais. Para ver a atuação completa acesse o currículo lattes.