Profeta Banana: A Volta de Quem Não Foi
Após 3 anos de inatividade, o “Profeta Banana” está de volta. O blog nasceu em 2002, criado por Vitor Bemvindo. A idéia foi criar um personagem mítico que pudesse expressar suas opiniões recheadas de sarcasmo, ironia e humor negro. É importante ressaltar que o Profeta e Vitor nem sempre se manifestam com a mesma opinião. Nesta nova fase do blog, o criador e criatura interagirão com mais freqüência. As partes mais sérias da análise da vida cotidiana será feita pelo pobre mortal. O Profeta é um ser sábio, que tem um modo muito peculiar de analisar as coisas.
Veja o perfil de ambos:
Criatura:
Nome: Profeta Banana
Origem: O Profeta era um guerreiro galês dos mais habilidosos. Durante as Invasões Bárbaras, no século V, os seguidores do então guerreiro Karlix venceram inúmeras batalhas contra os romanos. Após perder um grande número de companheiros, resolveu se afastar das batalhas e tornar-se um Druida . Voltou a Gália, mais precisamente à ilha de Anglesey (Ynys Môn) e durante mais de cinqüenta anos recebeu ensinamentos de grandes mestres. Durante esse tempo, Karlix ganhou grande respeito em sua comunidade, sendo encarado como espécie de santidade, graças a sua grande sabedoria, que lhe dava a possibilidade de fazer análises que muitas vezes pareciam prever o futuro.
O Druida Karlix, viveu 117 anos, e quando estava prestes a morrer, recebeu a visita de uma entidade que tinha características de uma divindade céltica, mas ao mesmo tempo, com traços de um orixá de umbanda. O nome desta entidade é Lugh Okô. Não existem muitos estudos sobre esse tipo de entidade, mas entende-se que é a integração do Deus Celta Lugh (Deus da Luz, no qual o seu sabá garante fertilidade e grandes colheitas) e do Orixá Okô (divindade da agricultura também ligado à fertilidade de solos e colheitas). Lugh Okô apesar de utilizar vestimentas tipicamente célticas, utilizava-se de uma chibata de couro e um cajado de madeira.
Karlix, que agonizava em seu leito e sofria de fortes dores, recebeu Lugh Okô, que lhe deu três chibatadas, finalmente aliviando a sua dor e levando-o à morte. Após o acontecido, a entidade tirou do seu cinto uma flauta de osso e entoou uma melodia celta. Nesse momento, Karlix desprendeu-se de seu corpo e levitou até posicionar-se tête-à-tête com a entidade, que colocou o cajado em sua fronte. Karlix materializou-se novamente, recebendo um hábito de cor púrpura e um cajado similar ao utilizado por Lugh Okô, que imediatamente lhe enviou ao sudeste da Ásia.
Karlix notou que tinha retornado no tempo. Pelos seus cálculos deveria estar entre 8000 aC e 5000 aC. No local havia uma comunidade primitiva que passava por muitas dificuldades. A fome imperava. Vendo o desespero daquelas pessoas, Karlix empunhou seu cajado e o fincou naquela terra infértil e seca. No mesmo momento começou a surgir uma vegetação densa e verde, e uma espécie de árvore bastante peculiar. Na copa dessas árvores havia frutos diferente de tudo que já se havia visto anteriormente. Eram, de casca amarelada com manchas negras, nasciam em penca e por dentro tinha uma polpa macia e muito doce. O consumo daquele fruto pelos nativos rapidamente fez com que eles ganhassem peso e massa muscular. Onde havia fome, prosperava uma sociedade saudável que com os ensinamentos do Druida Karlix, tornou-se uma das mais evoluídas de toda Ásia. Os nativos batizaram aquele fruto de “banana”, e passaram a adorar Karlix como se fosse o “Deus Banana”. O chefe político daquela sociedade mandou fazer uma escultura em barro, folheada a ouro que reproduzia uma penca de bananas e, numa linda cerimônia, a presenteou a Karlix, que imediatamente a pendurou em seu cajado.
Sua missão no sudeste asiático estava cumprida, logo reapareceu Lugh Okô que o mandou a outros lugares do mundo com o mesmo objetivo, disseminar seus conhecimentos e o cultivo da banana. Durante séculos Karlix, agora o Deus Banana, esteve por regiões da África, hoje conhecidas como Papua Nova Guiné e Nigéria. Em diversas tribos, o ex-Druida repetiu a experiência acontecida no sudeste da Ásia. Na África, Karlix finalmente fundiu as experiências celtas com a cultura africana, aproximando cada vez mais de Lugh Okô.
Karlix passou por Índia, China, Filipinas, Indonésia, Tailândia, Burundi, México, Costa Rica, Equador, Colômbia até que no início do século XIII, chegou ao que hoje chamamos de Brasil. Karlix vinha de uma peregrinação de muitos séculos, e ao chegar nessa terra de clima agradável e lindas praias, resolveu ficar. Tirou umas férias. Durante alguns séculos, Karlix se materializou em índios, portugueses, holandeses, franceses, negros africanos, imigrantes italianos, sempre com o objetivo de disseminar a banana e seus ensinamentos.
No fim do século XIX, ele notou que a banana já estava disseminada suficientemente por todo o mundo e, então, resolveu aposentar-se. Escolheu ficar no Rio de Janeiro, cidades de lindas belezas e de cultura riquíssima.
Chegou na cidade em fevereiro de 1899, em pleno o carnaval. Ficou encantado com aquela festa tão diferente. Ao andar pelas ruas da cidade, todos gritavam: “Olha o Profeta!”. Karlix não entendia muito aquela manifestação. As pessoas se vestiam com máscaras estranhas, roupas coloridas, algumas até se vestiam como demônios. A mesma estranheza de Karlix era a dos populares, que ao observarem o ex-Druida diziam: “Que bela fantasia! Você parece mesmo um profeta”. E assim ficou conhecido: Profeta Banana. Durante esse carnaval, o agora Profeta, voltou a ter prazeres mundanos. A festa da carne, fez com que Karlix deixasse de ser uma entidade divina e voltasse a ser humano por alguns dias. Ele se envolveu com um sem-número de mulheres, mas havia se esquecido de um dos seus dons: o da fertilidade. Ele achava que só poderia fertilizar solos, mas durante os dias de carnaval engravidou cerca de 56 mulheres. O Profeta aprendia ali uma lição: os prazeres mundanos não são para as divindades.
Após os dias de folia, Lugh Okô retornou muito irritado com o Profeta e o puniu severamente. Karlix nunca mais poderia se materializar. A partir daquele momento, o Profeta só poderia passar seus ensinamentos encarnando em outras pessoas. Durante o século passado, o Profeta encarnou em três pessoas. Na década de 1930, encarnou num italiano, tipógrafo de um jornal anarquista, perseguido e morto pela polícia política de Vargas. Na década de 1960, encarnou numa estudante de jornalismo, líder de movimentos estudantis, também perseguida e morta pela nova ditadura.
O Profeta voltou na década de 1980. Resolveu ter uma vida mais tranqüila, e encarnou num recém-nascido carioca, de classe média baixa filho de um militar com uma advogada. O garoto cresceu e virou um historiador. Com muitos conflitos, ele segue sua vida tentando deixar o legado da Banana.
Criador:
Nome: Vitor Bemvindo
Origem: Rio de Janeiro, 1981.
Profissão: Historiador e professor de História
Atuação: No momento faz mestrado em História Política na UERJ, na linha de Relações Internacionais. Para ver a atuação completa acesse o currículo lattes.


2 Comentários:
Isso q é arte! Meu primeiro nu artístico!
Fala Rafael,
Você é um grande artista. Seu retrato de Karlix no Carnaval de 1899 é perfeito.
Impressionate como mesmo sem saber da história anteriormente você retratou tão bem os fatos nesse desenho.
Parabéns!
Salve Karlix, Salve a Banana!
Abraços!
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
Links para esta postagem:
Criar um link
<< Início